Bolsonaro insiste que não falou em PF no vídeo de reunião, apesar de ministros dizerem o contrário

Gustavo Maia

BRASÍLIA - Insistindo que não citou a Polícia Federal no vídeo da reunião com ministros do último dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, "se equivocou" ao confirmar a menção, em depoimento na terça-feira. Além de Ramos também o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, atestou em depoimento à Polícia Federal que Bolsonaro citou a PF ao reclamar de relatórios de inteligência produzidos pelo governo.

À Polícia Federal, Ramos afirmou que o presidente "se manifestou de forma contundente sobre a qualidade de órgãos de inteligência produzidos pela Abin, Forças Armadas, Polícia Federal". Heleno disse o mesmo.

- O Ramos se equivocou. Mas como é reunião, eu tenho o vídeo. O Ramos, se ele falou isso, se equivocou - declarou Bolsonaro.

A cobrança de Bolsonaro por mais relatórios da PF foram relatada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro ao pedir demissão do cargo. Segundo Moro, além de supostamente tentar interferir politicamente na Polícia Federal com a troca do diretor-geral e também do superintendente do órgão no Rio de Janeiro, Bolsonaro também queria ter acesso aos documentos produzidos pela PF.

Nos depoimentos, Ramos e Heleno ressalvam que o presidente queria apenas ter mais informações para aprimorar as ações do governo e não se referia a relatórios de investigações policiais.

Questionado na manhã desta quarta-feira se o vai divulgar o vídeo entregue na semana passada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente disse ser favorável, mas que o assunto está sendo tratado pela Advocacia-Geral da República (AGU), que o representa no inquérito.

- Eu não sei se eu posso conversar, porque eu faço parte do processo... eu não posso conversar com o Celso de Mello, porque eu faço do processo. Mas eu vou levar, aproveitando a tua sugestão aí, ao AGU, o ministro Levi, se a gente pode divulgar essa parte. Se eu não me engano, o Celso de Mello ontem oficiou aí o advogado do Moro, a AGU e a Justiça exatamente para ver se a gente entra nessa linha para divulgar, mesmo com os palavrões que eu falo sempre - declarou, encerrando a entrevista na portaria do Palácio da Alvorada.

Antes, Bolsonaro havia dito que não teve acesso aos depoimentos dos três ministros que falaram na terça, Ramos, Heleno e o chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto.