Bolsonaro ironiza sobre impacto negativo de medida sobre jornais

(Arquivo) O presidente Jair Bolsonaro destacou que a medida provisória que desobriga as empresas a publicar seus balanços em jornais terá um forte impacto negativo nas finanças da imprensa

O presidente Jair Bolsonaro destacou nesta terça-feira que a medida provisória que desobriga as empresas a publicar seus balanços nos jornais terá um forte impacto negativo nas finanças da imprensa, o que será uma "retribuição" aos ataques que recebe de parte da mídia.

A medida, publicada no Diário Oficial da União, libera as empresas de capital aberto da obrigação de divulgar seus balanços em jornais impressos, o que constituía uma importante fonte de recursos para muitos jornais.

"Eu tenho certeza que a imprensa vai apoiar esta medida", ironizou Bolsonaro em um congresso na Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição Veículos Automotores).

"No dia de ontem eu retribui parte daquilo que grande parte da mídia me atacou. Os empresários que gastavam milhões de reais para publicar seus balancetes em jornais agora podem fazê-lo no Diário Oficial da União a custo zero", disse o presidente na inauguração de uma fábrica de medicamentos no interior do estado de São Paulo.

Bolsonaro recordou que foi eleito "sem televisão, sem tempo de partido, sem recursos, com quase toda a mídia o tempo todo esculachando a gente", chamando de "racista, fascista e seja lá o que for".

Em seu discurso, o presidente citou o jornal Valor Econômico, que teria lhe atacado durante a campanha eleitoral após a concessão de duas entrevistas.

O Valor Econômico respondeu recordando que apesar dos insistentes pedidos, Bolsonaro não concedeu entrevista durante a campanha eleitoral de 2018, e sim um ano antes.

Posteriormente, o presidente declarou que "não é uma retaliação contra a imprensa, é tirar o Estado de cima daquele que produz", recordando que "as grandes empresas gastavam com jornais, em média, 900 mil reais por ano" para publicar seus balanços.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) avaliou que a medida é contrária à transparência das informações que a sociedade exige.