Bolsonaro ironiza notícia sobre suicídios na pandemia: 'Não errei nenhuma'

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The Brazilian President Jair Bolsonaro speaks during the signig ceremony of the decree granting autonomy to the Central Bank of Brazil, at the Planalto Palace in Brasilia, on February 24, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante cerimônia no dia 24 de fevereiro de 2021 (EVARISTO SA/AFP via Getty Images))

Em meio ao número recorde de mortes e da falta de leitos de UTI no país por conta do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou nesta quinta-feira (4) as políticas de isolamento social e restrição de atividades aplicada por estados e afirmou que "não errou nenhuma" ao comentar uma notícia que aponta o aumento de suicídios e depressão durante o período da pandemia do novo coronavírus.

O presidente começou as críticas às políticas de isolamento social ao citar uma nota do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal em que a entidade se posiciona contra o lockdown e utiliza uma fala fora de contexto de um integrante da Organização Mundial de Saúde para afirmar que a OMS condena essa política, o que não é verdade.

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Na verdade, a posição oficial da entidade mundial sobre o lockdown é que essa medida precisa estar aliada a outras ações para que o combate à pandemia seja eficiente e não prejudique as pessoas em situação vulnerável.

Bolsonaro, no entanto, utilizou a nota do CRM-DF e a frase do integrante da OMS para atacar o lockdown. "Nas palavras do doutor David Nabarro: 'o lockdown não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres'", disse o presidente, ao ler a nota.

Em seguida, ele também citou uma notícia em que o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirma que "as pessoas vão morrer de fome com o lockdown", sem contextualizá-la. "Ué, de São Paulo? O Estado que está fechando tudo?", ironizou o presidente.

Na verdade, o que o secretário de Saúde de São Paulo afirmou na entrevista em questão, à rádio CBN, é que, em sua opinião, o país não tem condições de realizar um lockdown rígido como em países da Europa, em que as pessoas são de fato proibidas de saírem de casa, enquanto a população mais pobre não tiver à disposição medidas como o auxílio emergencial.

"Vão chegar à conclusão que eu não errei nenhuma. Com todo o respeito, Tarcísio: eu não errei nenhuma", disse, acompanhado do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

Na sequência, Bolsonaro comparou duas reportagens para enfatizar sua posição contrária às medidas de isolamento. "Tem até uma [notícia] aqui. O que eu falei lá atrás: 'Sem dados, Bolsonaro diz que isolamento pode levar a suicídios e depressão. Março de 2020."

O presidente então, citou uma outra reportagem, do último mês de fevereiro, que aponta os problemas de suicídio e depressão durante o período da pandemia.

"Fevereiro de 2021", disse o presidente, antes de começar a rir, no que foi acompanhado pelo ministro. "Pode sorrir, Tarcísio, pode sorrir, não tem problema não. A coisa é séria, pessoal. Gazeta do Povo: 'Depressão e suicídio entre jovens aumentam durante a pandemia'. O pessoal fala que eu tinha bola de cristal. Eu não tinha. Só não sou tão burro quanto aqueles que me criticam."

Bolsonaro ainda afirmou que a "maioria das crianças não aprendeu nada ficando em casa vendo porcaria na televisão" e disse que o ele mais enxerga nas ruas é "o povo falando que quer trabalhar".

"A política do lockdown é prejudicial, como dizem pesquisas, relatos e entidades. Não sou eu que está dizendo. Porque senão cria uma celeuma enorme com a minha pessoa. Vamos ficar em casa até quando? Sabemos da gravidade do vírus, lamentamos as mortes, mas o efeito colateral dessa forma de fechar tudo é muito mais danoso que o próprio vírus."

No fim, Bolsonaro também disse que o aumento dos preços nos alimentos é decorrente do "fica em casa", chamou o isolamento de uma "política quase selvagem" e ligou as restrições ao que chamou de "represamento de cirurgias".

"Parece que só morre gente de covid no Brasil. Tem outras pessoas morrendo por outras doenças, porque ficam em casa com medo. O vírus do pavor foi inoculado nessas pessoas", declarou.

Presidente volta a citar enquete sobre máscaras e chamar de pesquisa

Na transmissão, Bolsonaro também criticou a imprensa por causa de uma informação que ele mesmo divulgou, na semana anterior. Na ocasião, o presidente citou um "estudo de uma universidade alemã" que afirmava que as máscaras são "prejudiciais às crianças" e causam "irritabilidade, dor de cabeça, dificuldade de concentração, recusa a ir à escola ou creche", entre outros itens. "São os efeitos colaterais da máscara", completou, na live da semana passada.

Na verdade, segundo a agência de notícias alemã Deutsche Welle, o "estudo" citado por Bolsonaro se tratava de uma enquete online de pesquisadores de uma universidade alemã, com pouco rigor científico, com a intenção de coletar relatos sobre o uso de máscaras em crianças. De acordo com a agência, os próprios pesquisadores admitem que os dados podem ter sido deliberadamente distorcidos por críticos das medidas de isolamento.

O presidente brasileiro voltou a citar o assunto nesta quinta para criticar a imprensa. Quando falou, no entanto, se confundiu ao citar o país onde a enquete, que ele chamou de pesquisa, foi realizada.

"Na semana passada, eu li uma pesquisa sobre efeitos colaterais da máscara para a garotada do Reino Unido, se não me engano. Os órgãos de imprensa deram como se eu estivesse criticando as máscaras. O que eu falei lá que, nesse conglomerado de países, o efeito colateral não é benéfico. Não é opinião minha, são dados de uma pesquisa", disse o presidente, sem esclarecer o assunto.

Vacinas

Bolsonaro ainda falou rapidamente sobre as compras de vacina pelo Brasil, dizendo que não é negacionista da pandemia. "São 400 milhões de doses até janeiro do ano que vem e 168 milhões em tratativas. Em março agora teremos 20 milhões disponíveis, no mínimo. E, para o mês seguinte, são no mínimo mais 40 milhões de novas doses", disse.

Ele classificou o país como um "dos que mais vacina no mundo" e voltou a dizer que, no que depender do governo federal, a imunização não será obrigatória. "Jamais vamos obrigar, ou criar sanções para quem não tomar a vacina."

O presidente também comentou o acerto do Ministério da Saúde para a compra de vacinas da Pfizer e da Janssen, mas disse não saber quando elas estarão disponíveis no Brasil.

"O Pazuello [ministro da Saúde] assinou a intenção de compra da vacina da Pfizer e da Janssen. Eu não sei o prazo que elas devem chegar ao Brasil", declarou.

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