Bolsonaro lança política de recuperação online dois anos após fechamento de escolas

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta segunda-feira (20) uma política digital para tentar ajudar as redes de ensino no processo de recuperação de aprendizagem dos alunos. A iniciativa, que será apenas virtual, vem mais de dois anos após o fechamento de escolas por causa da pandemia de Covid e quase um ano após o retorno presencial.

Essa política já havia sido oficializada em decreto no dia 24 de maio e, na prática, agrega algumas iniciativas digitais já lançadas.

A gestão Bolsonaro foi cobrada por dirigentes educacionais ao longo de toda a pandemia pela ausência de políticas públicas que pudessem colaborar com a manutenção do ensino no período. As escolas foram fechadas a partir de março de 2020 e, na maior parte das redes públicas do país, o retorno presencial ocorreu em agosto de 2021.

O MEC (Ministério da Educação) também teve atuação tímida no processo de retorno à escola.

A pasta tem investido em oferecer soluções digitais, como é o caso de ação para formação de professores, mas chegou a entrar na Justiça para não cumprir lei que levava internet a professores e alunos --só neste ano é que o governo efetivou o repasse de R$ 3,5 bilhões para as redes, como previa lei.

A decisão do fechamento das escolas foi de estados e municípios, que são os responsáveis pelas unidades de educação básica. Apesar de abrir mão de uma ação efetiva, Bolsonaro e seus ministros mantiveram discurso pela reabertura das unidades desde 2020.

O tema voltou ao discurso nesta segunda-feira, em evento no Palácio do Planalto com a presença do presidente Bolsonaro e do ministro da Educação, Victor Godoy.

"Se dependesse de mim, teríamos aula", discursou o chefe do Executivo.

"Mesmo com todas as ações do governo federal e do presidente Bolsonaro para sensibilizar esses decisores [prefeitos e governadores] sobre a abertura ainda em 2020, o Brasil demorou demais", acrescentou o ministro.

Em três anos e meio de governo, raramente Bolsonaro protagonizou eventos sobre educação no Palácio Planalto. Nesta segunda, esteve ladeado do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e do ex-ministro desta pasta e agora assessor da Presidência, general Braga Netto, que é cotado para compor a chapa com o mandatário nas eleições deste ano.

Chamada de Política Nacional para Recuperação das Aprendizagens na Educação Básica, a iniciativa consiste em plataformas digitais com avaliações que poderão ser aplicadas por professores cujos redes de ensino façam a adesão ao projeto. Também foi agregada iniciativa chamada MECPlace (Ecossistema de Inovação e Soluções Educacionais Digitais), viabilizada a partir de uma parceria firmada com o Google.

Há, segundo o MEC, sugestões de conteúdos para recuperação. De acordo com o governo, também há previsão de oferta de sistemas de apoio ao monitoramento de abandono, além da oferta de materiais pedagógicos.

Cabe às redes de ensino não apenas a aplicação das avaliações diagnósticas, mas também a definição de como se dará a recuperação. Experiências das redes mostram que há dificuldade de realizar recuperação no contraturno de aulas, como sugeriu o ministro em entrevista.

O governo afirma que mais de 2.000 municípios já aderiram a ferramentas digitais.

Godoy e e o secretário de Educação Básica do MEC, Mauro Luiz Rabelo, defenderam na entrevista que o governo respondeu com velocidade aos impactos da pandemia na educação.

"Você não constrói um arcabouço de avaliações que tenha variedade de uma hora para outra. Começamos o trabalho no final de 2020, e [fomos trabalhando] até fazer o desenho do que a gente gostaria de oferecer para as escolas", disse Rabelo.

"Se pensar que construímos uma plataforma, implantamos em mais de 2.000 municípios, elaboramos cadernos pedagógicos estruturados, em quatro disciplinas, tudo isso em menos de um ano. É tempo recorde", defendeu o ministro.

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