Bolsonaro lista dois motivos para não passar faixa presidencial a Lula; veja quais

Bolsonaro não vai à entrega da faixa a Lula (TERCIO TEIXEIRA/AFP via Getty Images)
Bolsonaro não vai à entrega da faixa a Lula (TERCIO TEIXEIRA/AFP via Getty Images)
  • Jair Bolsonaro decidiu que não estará na entrega da faixa presidencial a Lula em 1º de janeiro

  • Presidente acredita que não há clima para sua presença e ainda se revolta com a atuação do TSE na eleição

  • Bolsonaro tem se mantido recluso e calado desde a derrota nas urnas para o petista

O presidente Jair Bolsonaro (PL) bateu o martelo e decidiu que não participará da entrega da faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 1º de janeiro, em Brasília.

Ainda não se sabe quem será o responsável por passar a faixa ao petista, mas Bolsonaro decidiu acabar com a tradição, já que, historicamente, o responsável por tal ato é o presidente a ser substituído.

Segundo a coluna de Paulo Cappelli no portal Metrópoles, o atual chefe do Executivo teria confirmado a decisão a aliados e listado dois motivos para embasá-la.

O primeiro é a troca de acusações e provocações entre ele Lula durante a campanha eleitoral. Ele acredita que não haveria qualquer clima amistoso para que pudesse entregar a faixa ao novo presidente.

O segundo é a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante os últimos meses. Bolsonaro tem certeza de que foi tratado de forma diferente pelo órgão, ainda que não tenha comprovado qualquer irregularidade, e, segundo ele, estar na cerimônia seria concordar com o processo que resultou na eleição de Lula.

Reclusão do presidente

Desde a derrota nas urnas para o petista, Bolsonaro tem se mantido recluso. Na última segunda-feira (5), fez sua terceira aparição pública desde o dia 26 de novembro, durante cerimônia das Forças Armadas em Brasília, onde chorou durante o evento. Como tem acontecido, ele se manteve em silêncio e não discursou.

Esta, também, foi a primeira vez que o presidente apareceu ao lado de sua esposa, Michelle Bolsonaro, desde a derrota. Após a eleição, rumores sobre uma possível crise conjugal ganharam força, mas foram desmentidos pela primeira-dama.

A reclusão de Bolsonaro foi criticada até por seus aliados. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a cobrar publicamente que o chefe do Executivo se pronunciasse, mas sem sucesso.

Um levantamento feito no fim do mês passado mostrou que Bolsonaro foi apenas quatro vezes ao Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, durante o mês.

Erisipela e preocupação

Segundo os próprios aliados, o afastamento do presidente seria resultado de uma erisipela, infecção bacteriana que pode atingir a gordura do tecido celular. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) chegou a publicar uma foto que seria da perna do pai, com uma profunda ferida.

Outras pessoas próximas de Bolsonaro, porém, já teriam manifestado preocupação com o estado psicológico do presidente desde a derrota nas urnas.