Bolsonaro mantém defesa a "tratamento precoce" e desinforma sobre vacinas

Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the Ceremony for the Modernization of Occupational Health and Safety Regulations at the Planalto Palace in Brasilia, on October 7, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the Ceremony for the Modernization of Occupational Health and Safety Regulations at the Planalto Palace in Brasilia, on October 7, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu, durante a sua live semanal nesta quinta-feira (7), os seus argumentos a favor do que ele chama de "tratamento precoce" – o uso de remédios sem eficácia – contra a covid-19 e disseminou informações imprecisas sobre as vacinas.

Bolsonaro passou boa parte da live apontando as políticas de isolamento social – que ele chama, pejorativamente, de "política do fica em casa" – como causadoras da inflação e da crise econômica no Brasil e no mundo.

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O presidente citou índices negativos de alguns países e listou a diferença de preços de alimentos no Brasil e nos Estados Unidos – na comparação feita por Bolsonaro, os valores são mais baixos dentro do território brasileiro. "Nos Estados Unidos, o preço também aumentou. Está alto o preço aqui? Está. Teve inflação? Teve. Não é diferente de vários países da Europa."

Ele também reclamou de ser apontado como culpado pela alta de preços no país. "Vai descer a lenha em mim? 'Olha a inflação, Bolsonaro, olha o desemprego.' Eu não fechei um botequim", disse o presidente, que também atacou os governadores pelo fechamento do comércio, como tem feito desde os primeiros momentos da pandemia.

Questionamento sobre vacinas

Depois, o presidente criticou a CPI da Pandemia pelo possível indiciamento de Carlos e Eduardo Bolsonaro. Nesse momento, passou a defender novamente o uso de medicamentos sem eficácia contra a covid.

"Vi que a CPI deve indiciar dois filhos meus por fake news. Quero saber o que a CPI produziu de concreto para diminuir o número de mortes no Brasil. O que os senadores fizeram no ano passado? Estavam dormindo em casa, com a vida que pediu a Deus. A CPI foi contra tratamento precoce. E é favorável ao quê?"

Na sequência, Bolsonaro citou que "brevemente" haverá "informações precisas sobre o tratamento precoce" e continuou defendendo os medicamentos. O presidente não fez referências à investigação da CPI sobre a atuação da operadora de planos de saúde Prevent Senior, que teria obrigado médicos a receitarem o "kit covid" a pacientes – um dos principais assuntos envolvendo o assunto nas últimas semanas.

"Quem fez um tratamento precoce sequer foi hospitalizado, quem nada tomou é quem tem problema", disse, citando sua própria experiência como uma "prova" de que o tratamento funciona. Ele também voltou a disseminar, sem oferecer evidências, a informação de que quem foi infectado pelo coronavírus tem uma maior proteção do que aqueles que tomaram a vacina.

"Tem estudo no mundo todo, falta no Brasil. Quem, porventura, contraiu o vírus e se curou, tem sete vezes mais anticorpos do que quem tomou a vacina", disse o presidente.

Em outro momento, ele leu a notícia de que a Organização Mundial de Saúde aprovou uma vacina contra malária. "Quando começaram a testar essa vacina? Em 1967, 54 anos atrás. Não vou discutir. Você que está assistindo aí sabe do que eu tô falando", afirmou.

Telegram e fake news

Bolsonaro também defendeu o aplicativo de mensagens Telegram, apontado por especialistas como uma ferramenta que facilita a disseminação de fake news. "Quando acusam a mim de fazer fake news, não apontam uma matéria. Ainda querem, a gente vê os comentários por aí, me tornar inelegível por fake news. É inacreditável. Logicamente, ampliamos a nossa rede com o Telegram. Ele não tem censura e tem que ser assim."

"Hoje, se você bota uma matéria com uma suspeita, um problema, sobre a vacina, você é tachado de terraplanista, de negacionista, de propagador de fake news", reclamou.

Ele ainda afirmou que "não nega" a vacina. "Ela está à disposição do povo. Minha esposa tomou a vacina", argumentou.

No fim, Bolsonaro também atacou a CPI por colocar o presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, como investigado. "O presidente do Conselho Federal de Medicina sempre defendeu a autonomia médica. É isso que ele defende. Por que se politizou tanto o tratamento precoce? Quantas pessoas poderiam ter sido salvas, e não foram, com o tratamento precoce?", criticou o presidente.