Bolsonaro minimiza acusação de 'fascista' dita por Ciro Nogueira em 2017: 'As coisas mudam'

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Futuro ministro da Casa Civil e um dos líderes do
Futuro ministro da Casa Civil e um dos líderes do "centrão" no Congresso, Ciro Nogueira chamou Jair Bolsonaro de 'fascista' e 'preconceituoso' em 2017. (Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu na noite desta quinta-feira (22) a escolha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) como futuro ministro da Casa Civil. Em sua live semanal, Bolsonaro também comentou um vídeo de 2017 onde o senador o chama de "fascista" e disse que a acusação "é coisa do passado".

Nogueira, considerado um dos líderes do "centrão" no Congresso e hoje aliado do governo federal, já foi próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma entrevista à TV Meio Norte, em 2017, o senador chamou o petista de "melhor presidente deste país", elogiando políticas sociais de Lula. De quebra, classificou Bolsonaro como "fascista, preconceituoso" e disse que não via o então pré-candidato em condições de assumir a Presidência.

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"O Bolsonaro, eu tenho muita restrição, porque é um fascista. Tem um caráter fascista, preconceituoso. É muito fácil ir para a televisão e dizer que você vai matar bandido, é um discurso muito fácil. Mas isso não é pra Presidência da República. Presidente da República é quem vai gerar emprego e renda, vai cuidar da saúde, da infraestrutura, do saneamento", criticou, na ocasião. "Eu conheço o Bolsonaro e ele não tem capacidade de fazer isso. Ele nunca geriu nada, nunca foi prefeito ou governador, não mostrou nenhum trabalho."

Em sua live nesta quinta, Bolsonaro citou a frase dita por seu futuro ministro e os elogios a Lula. O presidente, no entanto, contemporizou.

"Tem vídeo dele na internet me chamando de fascista lá atrás. Sim, chamou. As coisas mudam. Eu tinha posições no passado que não assumo mais hoje. Mudei. Agora, nenhuma (posição) de forma radical", disse Bolsonaro, que em seguida falou sobre o elogio do senador a Lula. "No Nordeste, quem não fosse Lula, no passado, não tinha sucesso. Então isso, pra mim, é coisa do passado."

Bolsonaro disse que ainda não concretizou a "dança dos cadeiras", que deve colocar Ciro Nogueira na Casa Civil e transferir Onyx Lorenzoni para a nova pasta do Emprego e Previdência, desmembrada do Ministério da Economia. Mesmo assim, elogiou o senador e disse que ele "ajudará na interlocução do governo com o Parlamento".

"Conheço o Ciro. Integrei o Partido Progressista [hoje Progressistas] por mais da metade do meu tempo como parlamentar", disse Bolsonaro, confirmando um possível retorno ao PP. "O PP pode ser o partido para disputar a Presidência se eu vier a ser candidato. Pode ser, não tenho partido ainda. Tenho que estar num partido que eu queira, e que me queira também, e ter a segurança de que tudo que for combinado se faça valer de fato."

Mentira sobre a CoronaVac

Na live de hoje, Bolsonaro novamente atacou a CoronaVac e disse que a vacina produzida pelo Instituto Butantan "não tem comprovação científica e ainda está em fase experimental", o que não é verdade – a vacina, como todas aquelas aplicadas no país, foi aprovada pela Anvisa, tendo sua eficácia, qualidade e segurança comprovadas pelo órgão.

Ele também afirmou ter recebido uma informação através do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que a CoronaVac foi oferecida pela farmacêutica chinesa Sinovac, criadora do imunizante, a 5 dólares. No acordo fechado com o Butantan, o governo federal pagou 10 dólares.

Apesar de dizer que "não estava levantando suspeita" sobre o Butantan, Bolsonaro, citando Queiroga, disse que o instituto ligado ao governo de São Paulo "nunca apresentou as planilhas de custos" relacionadas à vacina.

"Ele [Queiroga] disse que não sabe quanto custa o IFA [ingrediente farmacêutico ativo], que eles não fornecem para nós. Sempre se negaram a apresentar a planilha de preços", atacou Bolsonaro. "Nós estamos em guerra. Não quero nem imaginar superfaturamento", insinuou.

Segundo o presidente, o Ministério da Saúde acionou a Controladoria-Geral da União para investigar o caso, e que tanto o Ministério da Justiça quanto o Tribunal de Contas da União receberão ofícios sobre o caso. "Isso tem que ser investigado por nós. Espero que o Butantan entregue a planilha de custos."

Ainda na transmissão de hoje, Bolsonaro voltou a fazer sua habitual defesa do comprovante impresso do voto, pressionando o Parlamento a aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estipula a obrigatoriedade do dispositivo nas eleições do ano que vem.

Além disso, criticou o Tribunal Superior Eleitoral e afirmou novamente que apresentará, na próxima semana, "fragilidades do sistema" que apareceram nos pleitos de 2014 e 2018. "É muito comum quem está no poder arranjar uma maneira de se perpetuar no poder. Eu estou fazendo o contrário. Eu quero eleições limpas e transparentes", disse.

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