Bolsonaro e ministro se contradizem sobre privatização dos Correios

Foto: AP/Eraldo Peres

Em um espaço de tempo de cerca de 40 minutos, o presidente Jair Bolsonaro entrou em contradição com o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, a respeito da privatização dos Correios.

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Em um evento em São Paulo, Bolsonaro anunciou a plenos pulmões: “vamos privatizar os Correios”. Poucos minutos antes, em Brasília, Pontes dizia que não existe qualquer “procedimento de desestatização ou privatização da empresa pública”.

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A fala de Bolsonaro foi ouvida durante um discurso do presidente na cerimônia de abertura de um congresso da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), na manhã desta terça-feira (6).

O presidente cumprimentava os presentes no evento quando viu na plateia o deputado Gil Diniz (PSL-SP), conhecido pelo apelido “Carteiro Reaça”. “Vamos privatizar os Correios, carteiro”, disse Bolsonaro, arrancando aplausos da plateia.

Em seguida, o presidente acrescentou que mudou sua opinião a respeito de privatizações - “era estatizante”, disse ele - e que está “aprendendo muito” sobre economia com outros membros do governo.

Ao mesmo tempo, Pontes participava de uma audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, juntamente com o general Floriano Peixoto, presidente dos Correios, e representantes do sindicato da categoria.

“Embora surjam na imprensa de tempos em tempos falando sobre privatização dos Correios, até o momento nós não temos nenhum documento oficial que leve a essa direção", afirmou o ministro, cuja pasta é responsável pela empresa de remessas.

“O que temos hoje de concreto é trabalhar para que os Correios sejam sustentáveis em termos econômicos e financeiros. De concreto, é isso que a gente tem de determinação”, completou.

Questionado sobre a contradição em relação à fala de Bolsonaro, Pontes respondeu: “Não sei exatamente o que ele [Bolsonaro] falou, mas estou transmitindo a informação dele de ontem”.

Em maio, Bolsonaro disse em entrevista que “deu sinal verde” para a desestatização dos Correios e, na última semana, declarou que a privatização “está no radar” do governo.

O novo presidente dos Correios foi escolhido em junho após a demissão do general Juarez Aparecido de Paula Cunha. Segundo Bolsonaro, o então presidente se comportava como um “sindicalista” ao se colocar publicamente contra a privatização da empresa.