Ao lado de Moro, Bolsonaro cita MP para provocar imprensa: 'boa sorte'

Bolsonaro faz live ao lado de Sergio Moro na noite desta quinta-feira (08) - Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro levou o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, para sua transmissão ao vivo nesta quinta-feira (8), que acabou ficando marcada pelos ataques à imprensa e pela defesa do presidente de sua atuação em relação ao meio ambiente, desmatamento e à proposta de legalização do garimpo.

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Apesar da presença do Moro, o ministro da Justiça não comentou as polêmicas referente ao vazamento das mensagens com membros da Lava Jato e nem de sua resposta à prisão dos hackers que teriam participado da ação. Nesta quinta, por exemplo, Moro respondeu a questionamento do Supremo Tribunal Federal sobre uma possível orientação de que a Polícia Federal destruísse o material colhido com os hackers – o ministro negou que tenha dado essa determinação.

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Na abertura da live, Bolsonaro e Moro comentaram sobre o período em que o atual ministro era juiz. Bolsonaro citou Juiz de Fora (MG) e lembrou do atentado que sofreu no ano passado no período de campanha eleitoral.

"Quem nasceu lá de novo? Eu estou vivo e o Moro virou ministro. Nós conversamos depois das eleições. Esse papinho da esquerda que havia conversado com ele alguma coisa, não havia conversado nada", argumentou Bolsonaro, em alusão às dúvidas sobre a isenção do juiz na época em que comandou o julgamento de Lula, antes de integrar o governo.

"O Moro agiu com discrição e personalidade em tudo que fez na sua vida, em especial no julgamento do Lula. Faz de conta que ele seja inocente. Pergunto: o que aconteceu com a Petrobras? Quase quebrou! Fundo de pensão? Quase 1 trilhão do BNDES que foi embora", afirmou Bolsonaro.

Moro respondeu sobre a Petrobras dizendo que a estatal foi "saqueada", e disse o mesmo quando Bolsonaro citou os fundos de pensão.

Em sua fala, Moro basicamente defendeu seu pacote de medidas de combate ao crime organizado, à corrupção e à lavagem de dinheiro. "As pessoas clamam por segurança maior, menos crimes, e o ministério, apoiado pelo governo do senhor, tem trabalhado nessa linha. Tem havido uma redução importante de índices criminais, mas a criminalidade é alta e precisamos trabalhar mais", disse Moro, citando uma estatística que aponta uma queda de 25% de homicídios em 2019 em relação ao mesmo período no ano passado.

Bolsonaro também citou, no começo da transmissão, que tentará diminuir o imposto para games para uma faixa entre 15% e 40% - hoje, ele fica entre 20% e 50%. "Entendo que, com essa redução, mais gente vai comprar os jogos", afirmou o presidente.

Ataques à imprensa e meio ambiente

Moro ocupou a live por 15 minutos, dando lugar a Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, que ficou até o final. A partir daí, ambos defenderam a política do governo no setor. Salles afirmou que, por 20 anos, os governos anteriores "fizeram de conta que ninguém mora na Amazônia. Eles precisam ter atividade econômica. A Amazônia é muito rica em termos naturais, mas pobre em infraestrutura. Precisamos solucionar essa equação", disse o ministro.

Em seguida, Bolsonaro usou a questão do meio ambiente para provocar a imprensa escrita ao citar a medida provisória do governo que desobriga as empresas a publicarem seus balanços econômicos nos jornais.

Bolsonaro mostrou uma capa do jornal O Globo, afirmando, com ironia, que era o "Capitão Motosserra", e depois mostrou balancetes que foram publicados nos últimos dias no jornal Valor Econômico, também do grupo Globo.

"Preocupado com isso, inspirado na motosserra do Globo, fiquei pensando. Pra fazer jornal tem que derrubar árvore. Então, pensando no meio ambiente, no apelo do jornal O Globo", justificou Bolsonaro, citando a lei em seguida e dizendo que as empresas podem agora publicar seus balanços no Diário Oficial da União, na CVM e em seus próprios sites.

"Espero que na capa do Globo amanhã não seja mais o Capitão Motosserra, e sim o capitão que está preservando o meio ambiente. Boa sorte ao Valor Econômico e ao jornal O Globo. A projeção é que, por ano, os empresários vão deixar de gastar R$ 1,2 bilhão com jornais. Então o lucro comemorado com toda mídia, tenho certeza que os jornais são favoráveis a essa medida, pra ajudar a não desmatar mais para fazer jornal", afirmou.

Depois, Bolsonaro afirmou que pretende incluir na MP a mesma condição para os editais públicos, que hoje também precisam ser publicados em jornais de grande circulação. "Um grande abraço à nossa imprensa maravilhosa, obrigado pelo apoio", provocou.

Na parte final da live, que teve uma hora de duração, Bolsonaro contou com a presença de três indígenas, apresentados como líderes da área da Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Eles criticaram ONGs e entidades religiosas que atuam na área e defenderam o discurso de Bolsonaro, que diz que os indígenas devem ter o direito de explorar e produzir em suas terras, um assunto que ele está presente no contexto de sua proposta de legalizar o garimpo.

"Tem que mostrar a você, que vive na área urbana, quem são os índios, e o que eles querem. E a grande farsa de ONGs e de entidades católicas que fazem contra essas pessoas [indígenas]. Diferentemente de evangélicos, que vejo fazendo um grande trabalho nesse meio. Lamentavelmente, uma parte da igreja católica para mantê-los no estado em que eles se encontram, não estão preocupados com o desenvolvimento deles, não estão preocupados em tratá-los como seres humanos. Nós temos que buscar uma solução para isso", concluiu o presidente.