‘Bolsonaro não é santo, mas minha rejeição maior é ao Lula’, diz Paulo Ganime em entrevista

RIO — Pré-candidato do Novo ao governo do Rio, deputado federal reconhece que partido tem pouca penetração popular, não vê problemas em votações da legenda alinhadas ao governo federal e dá pistas do que faria em um segundo turno na disputa presidencial entre PL e PT: ‘Não acho Bolsonaro santo, mas tenho, sim, uma rejeição maior pelo Lula’

O partido Novo tem a imagem ainda atrelada ao de legenda elitista e vista como “partido da Zona Sul”. Como mudar essa percepção?

Essa imagem elitista existe pelo fato de termos pouco tempo (de fundação), o que faz com que as ideias demorem mais a circular entre a população. No momento em que a gente conseguir ter mais capilaridade, com mais políticos eleitos, chegaremos em outras camadas. O partido é novo não só no nome. Em 2018, na primeira eleição nacional, elegeu uma bancada de oito deputados federais. Há partidos mais antigos que têm menos parlamentares.

Embora tenha candidato a presidente, a bancada do seu partido acumula votações ao lado de Bolsonaro. Essas votações geram algum constrangimento?

Nós da bancada do Novo votamos de acordo com os nossos valores. Se aquilo que está proposto é alinhado ao que acreditamos, aos nossos princípios, votamos sem problemas. A nossa avaliação será sempre técnica e não teremos problemas em votar com Bolsonaro, ou com quem quer que seja, desde que reflita o melhor para o Brasil.

O senhor, por exemplo, votou a favor do voto impresso e auditável. Assim como Bolsonaro, tem alguma contestação a respeito da lisura do processo eleitoral?

Eu não acredito que tenha tido algum problema até hoje, mas eu também não vejo como impossível ter no futuro. O voto ser auditável, para mim, é uma condição básica, mas não colocaria em discussão o tema, não era uma pauta minha. No entanto, quando vem a votação, tenho que me posicionar da forma como acredito.

Afinal, em um cenário Lula contra Bolsonaro, votaria em quem no segundo turno?

Nenhum dos dois representa o que eu quero para o Brasil, tenho o meu lado, que é o do Felipe D’Avila, candidato do Novo à Presidência. Votei no Bolsonaro em 2018, mas ele não cumpriu o que prometeu em vários aspectos ligados à política econômica, principalmente quando se fala em interferência política em empresas públicas como a Petrobras. Não acho o Bolsonaro santo. Agora, até por questões de princípios, tenho, sim, uma rejeição maior pelo Lula. O cara foi condenado por corrupção, e eu entrei na política para combater esse tipo de prática. Isso faz com que ele seja alguém que vai contra tudo que eu acredito.

Veja, na entrevista completa exclusiva para assinantes, quais as impressões de Ganime sobre o futuro de seu partido, o Novo, como ele enxerga a atuação de militares no governo Bolsonaro e a flexibilização do acesso a armas. Saiba também suas impressões sobre o único governador da sigla atualmente, Romeu Zema (MG), e entenda o que o deputado propõe para um eventual governo no Rio.

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