Bolsonaro na ONU: Presidente diz ter salvo Brasil do socialismo e fala em boa parte da Amazônia intacta

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Presidente Jair Bolsonaro abriu a Assembleia-Geral da ONU (Foto: Reprodução/ONU)
Presidente Jair Bolsonaro abriu a Assembleia-Geral da ONU (Foto: Reprodução/ONU)
  • Presidente Jair Bolsonaro discursou na abertura da Assembleia-Geral da ONU

  • Presidente citou o Brasil como um exemplo no código florestal

  • Segundo Bolsonaro, o governo atual tirou o Brasil da "beira do socialismo"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abriu a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (21). O presidente começou afirmando que o Brasil não tem casos de corrupção desde que Bolsonaro assumiu o poder e atacou a imprensa. Além disso, também falou em respeito à democracia. 

"Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisões. O Brasil mudou, e muito, depois que assumimos o governo em janeiro de 2019. Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção", disse. "O Brasil tem um presidente que acreditam em Deus, respeita a Constituição, valoriza família e deve lealdade ao seu povo. E isso é muito. É uma sólida base, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo." 

Assista o discurso na íntegra: 

Bolsonaro foi o primeiro líder a falar após António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas. É praxe que o primeiro discurso do evento seja do mandatário brasileiro. Essa é a segunda vez em que Bolsonaro abre a Assembleia-Geral da ONU de forma presencial, já que em 2020 o evento aconteceu de forma remota. 

Segundo Bolsonaro, ele apresentou um "novo Brasil" na ONU, com a "credibilidade recuperada". Apesar da inflação que o Brasil vive, o presidente falou em esforços para baratear alimentos e disse que o país tem "tudo que o investidor procura": "Um grande mercado consumidor, excelentes serviços, tradição de respeito à contratos e confiança no nosso governo". Em seguida, Bolsonaro anunciou que o leilão do 5G acontecerá "nos próximos dias". 

Preservação do meio ambiente

Sobre o tema do meio ambiente, Bolsonaro afirmou que "nenhum país do mundo possui uma legislação tão completa" quanto a do Brasil. "Nosso código florestal deve servir de exemplo para outros países. O Brasil é um país com dimensões continentais, com grandes desafios ambientais. São 8,5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 66%, dois terços, são vegetação nativa, a mesma desde o seu descobrimento em 1500", afirmou. 

"Somente no bioma amazônico, 84% da floresta está intacta, abrigando a maior biodiversidade do planeta. Lembro que a área da Amazônia equivale a toda área da Europa Ocidental. Antecipamos de 2060 para 2050 o objetivo de alcançar a neutralidade climática. Os recursos humanos e financeiros destinados ao fortalecimentos do órgãos ambientais foram dobrados, com vistas à zerar o desmatamento ilegal. E os resultados dessa importante ação já começaram a aparecer", disse. Bolsonaro citou, então, uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto se comparado com o mesmo mês do ano anterior. 

Bolsonaro convidou os outros chefes de estado a conhecerem a Amazônia. O presidente também citou a COP26 e disse o Brasil buscará consenso sobre o mercado de crédito carbono local. 

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Protestos contra Bolsonaro e polêmicas marcam passagem pelos EUA

A passagem da comitiva presidencial do Brasil por Nova York está sendo marcada por protestos contra o presidente da República. Na noite da última segunda-feira (20), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mostrou irritação com os manifestantes.

As autoridades brasileiras saíam de uma recepção na missão brasileira na ONU e estavam dentro de um ônibus. Manifestantes cercaram o veículo, enquanto gritavam palavras de ordem. Queiroga, então, se levantou no assento no qual estava, foi até a janela e mostrou o dedo do meio para aqueles que participavam do ato.

A reação do ministro chamou atenção nas redes sociais, pela falta de decoro que corresponderia ao cargo. Assista: 

Em um vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta terça-feira (21), Bolsonaro minimizou os protestos contra ele e disse que se tratavam de 10 pessoas. Segundo o presidente, "essas pessoas deveriam estar em um país socialista, não nos Estados Unidos".

Enquanto o presidente gravava o protesto, os manifestantes gritavam "fora, Bolsonaro" e o chamavam de "genocida". Bolsonaro ainda criticou a imprensa e afirmou que os meios de comunicação inflariam o número de manifestantes, afim de dizer que havia um "megaprotesto" contra ele em Nova York.

Esse não foi o primeiro protesto contra Jair Bolsonaro desde que o presidente chegou a Nova York. Bolsonaro teve de entrar pela porta dos fundos do hotel onde está hospedado, porque havia um grupo de manifestantes na entrada do local.

Caminhão com frases contra Bolsonaro passeia por NY

Um caminhão com telões de LED que projetam frases contra o presidente circula por Nova York, onde acontece a Assembleia Geral da ONU.

Nas redes sociais, é possível ver as imagens do veículo com os dizeres "Bolsonaro mentiroso"e também chamando o presidente de "perdedor".

Segundo informações do portal Metrópoles, a ação foi feita por ativistas brasileiros e norte-americanos e financiada por ONGs ligadas à defesa da democracia e preservação do meio ambiente.

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