Bolsonaro na ONU: Presidente volta a defender tratamento ineficaz e critica passaporte da vacinação e lockdown

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Brazil's President Jair Bolsonaro puts back on a protective facemask due to the coronavirus disease (Covid-19) pandemic after speaking at the 76th Session of the UN General Assembly on September 21, 2021 in New York. - The summit will feature the first speech to the world body by US President Joe Biden, who has described a rising and authoritarian China as the paramount challenge of the 21st century. (Photo by EDUARDO MUNOZ / POOL / AFP) (Photo by EDUARDO MUNOZ/POOL/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro defendeu tratamento com remédios ineficazes contra a covid-19 (Foto: EDUARDO MUNOZ/POOL/AFP via Getty Images)
  • Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, presidente Jair Bolsonaro adotou postura negacionista no combate à pandemia

  • Bolsonaro se posicionou contra o lockdown e se disse desfavorável à adoção do passaporte vacinal

  • Segundo Bolsonaro, brasileiros que "escolheram se vacinar" serão atendidos até novembro

No discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não abriu mão da postura negacionista em relação à pandemia de covid-19. Segundo Bolsonaro, ele falou em "combater o vírus e o desemprego de forma simultânea", culpou o isolamento social pelos problemas econômicos do mundo e defendeu o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença. 

"Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação especialmente nos gêneros alimentícios no mundo todo. No Brasil, para atender aqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por determinação de governadores e prefeitos, e que perderam a sua renda, concedemos um auxílio emergencial de 800 dólares para 68 milhões de pessoas em 2020", afirmou. 

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Havia a expectativa de que Bolsonaro falasse em doação de vacinas contra a covid-19 para países mais vulneráveis da América Latina, como forma de melhorar a imagem do Brasil. No entanto, esse posicionamento não ocorreu. 

O presidente afirmou que "até novembro, todos que escolheram ser vacinados no Brasil, serão atendidos", mas fez questão de se posicionar contra o passaporte da vacinação. Na última segunda-feira (20), o governo dos Estados Unidos anunciou que, a partir de novembro, poderão entrar no país pessoas vacinadas, sem necessidade de quarentena. 

"Apoiamos a vacinação, contudo, o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina", pontuou.

Outro tema mencionado por Jair Bolsonaro foi o "tratamento precoce", que não existe, já que não há remédios que previnam contra a infecção pelo coronavírus. "Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina."

"Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos", declarou. 

Protestos contra Bolsonaro e polêmicas marcam passagem pelos EUA

A passagem da comitiva presidencial do Brasil por Nova York está sendo marcada por protestos contra o presidente da República. Na noite da última segunda-feira (20), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mostrou irritação com os manifestantes.

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As autoridades brasileiras saíam de uma recepção na missão brasileira na ONU e estavam dentro de um ônibus. Manifestantes cercaram o veículo, enquanto gritavam palavras de ordem. Queiroga, então, se levantou no assento no qual estava, foi até a janela e mostrou o dedo do meio para aqueles que participavam do ato.

A reação do ministro chamou atenção nas redes sociais, pela falta de decoro que corresponderia ao cargo. Assista:

Em um vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta terça-feira (21), Bolsonaro minimizou os protestos contra ele e disse que se tratavam de 10 pessoas. Segundo o presidente, "essas pessoas deveriam estar em um país socialista, não nos Estados Unidos".

Enquanto o presidente gravava o protesto, os manifestantes gritavam "fora, Bolsonaro" e o chamavam de "genocida". Bolsonaro ainda criticou a imprensa e afirmou que os meios de comunicação inflariam o número de manifestantes, afim de dizer que havia um "megaprotesto" contra ele em Nova York.

Esse não foi o primeiro protesto contra Jair Bolsonaro desde que o presidente chegou a Nova York. Bolsonaro teve de entrar pela porta dos fundos do hotel onde está hospedado, porque havia um grupo de manifestantes na entrada do local.

Caminhão com frases contra Bolsonaro passeia por NY

Um caminhão com telões de LED que projetam frases contra o presidente circula por Nova York, onde acontece a Assembleia Geral da ONU.

Nas redes sociais, é possível ver as imagens do veículo com os dizeres "Bolsonaro mentiroso"e também chamando o presidente de "perdedor".

Segundo informações do portal Metrópoles, a ação foi feita por ativistas brasileiros e norte-americanos e financiada por ONGs ligadas à defesa da democracia e preservação do meio ambiente.

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