Bolsonaro na Time: Hugo Chávez e Kim Jong-un também já ganharam votação popular de personalidade do ano

·3 min de leitura
Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during a ceremony to sign contracts for the concession of the 5G mobile telephony band at the Planalto Palace in Brasilia, on December 7, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images.
  • Resultado foi anunciado nesta terça-feira

  • Votação online não tem relação com escolha oficial de editores

  • Vitória do presidente ocorreu por engajamento massivo de apoiadores

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi eleito Personalidade do Ano pelos leitores da revista norte-americana Time nesta terça-feira (7). A enquete é aberta para todos os usuários da internet e não define a escolha final da publicação, que é feita pelos editores e será anunciada no dia 13 de dezembro.

Muitas vezes, como aconteceu neste caso, a votação é instrumentalizada por apoiadores que votam em massa em uma pessoa. Em outros anos, o mesmo aconteceu com outros líderes. Por exemplo, o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que foi a “escolha” do público em 2006, momento celebrado por seus apoiadores.

Seis anos depois, em 2012, foi a vez do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Sua vitória aconteceu por conta de uma movimentação de usuários do 4Chan que queriam "trollar" a revista - fazer um tipo de “pegadinha”.

A votação aberta virtual não influencia na decisão dos editores da Time. É promovida pela revista com intuito de gerar engajamento no site e atrair a atenção do público.

Dias antes do anúncio do resultado, redes bolsonaristas no Whatsapp e Facebook divulgaram em massa a votação para apoiadores. Influenciadores digitais partidários do presidente chamaram seguidores a somar votos. E eles não estavam sozinhos: até Bolsonaro participou da campanha e divulgou a votação em sua live semanal, na última quinta-feira (2).

Com toda essa organização, o presidente brasileiro ficou com 24% dos 9 milhões de votos registrados na enquete da Time. Ele bateu, segundo a revista, o ex-presidente dos EUA Donald Trump, que teve 9% dos votos, e os profissionais da saúde que atuaram no combate à pandemia de covid-19, que tiveram 6,3% dos votos.

O resultado foi comemorado por Bolsonaro e apoiadores. O presidente usou as redes sociais para agradecer o apoio. O resultado foi anunciado na terça-feira durante um evento no Palácio do Planalto pelo ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni. O ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, também comemorou a vitória.

Apoiadores usaram as redes sociais para comemorar o fim da votação, mas muitos distorceram o significado do pleito, dando a entender que Bolsonaro é a escolha final da revista para ser a Personalidade do Ano. Alguns chegaram até a fazer capas falsas da revista.

O próprio texto da Time para anunciar o resultado teve um tom crítico em relação ao presidente brasileiro, que foi chamado de “líder controverso”.

“O controverso líder, candidato à reeleição em 2022, enfrenta uma desaprovação crescente pela sua gestão da economia e críticas generalizadas de políticos, tribunais e especialistas em saúde pública por minimizar a severidade da covid-19 e mostrar ceticismo em relação à vacina", afirma o texto.

A matéria destaca ainda que Bolsonaro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news, ao afirmar que a vacina contra covid-19 poderia aumentar as chances de contrair aids.

"Um relatório do Senado, em outubro, recomendou que o presidente seja acusado de vários crimes por má gestão da pandemia, que já matou mais de 600 mil pessoas no Brasil. Bolsonaro tem negado repetidamente qualquer ato ilícito", afirma a matéria.

Outros ‘líderes controversos’ já foram eleitos

A revista escolhe a Personalidade do Ano desde 1927. Já a votação online, que não tem relação com a escolha dos editores, começou em 1998.

A nomeação costuma ser considerada uma honra ou distinção, mesmo a revista afirmando que se trata apenas de identificar a personalidade que eles entendem como a mais influente naquele ano "para o bem ou para o mal".Nomes como Adolf Hitler e Joseph Stalin já foram selecionados.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos