Bolsonaro lança campanha contra fome: não tem feijão? Compre fuzil

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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures as he waits to meet Guinea Bissau's President Umaro Sissoco Embalo at Planalto Palace in Brasilia, on August 24, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Foto: Evaristo Sá/AFP) (via Getty Images)

Tem sido a tônica do discurso bolsonarista.

Tem pandemia? Então o presidente senta na cadeira, cruza os braços, estimula aglomeração, ataca máscara e outras medidas sanitárias, propaga remédios ineficazes e espera alguma coisa dar errado para culpar governadores e parlamentares, os que de fato arregaçaram as mangas na crise, pelo tranco inevitável na economia.

E a gasolina? Está inviável? Não discutam o modelo de produção, distribuição nem os erros na condução da economia. Cobrem os governadores a reduzirem sua parte nos impostos.

E o feijão? 

Bem, isso é o que o presidente pensa quando alguém questiona sobre o preço do item da cesta básica: “Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Tem um idiota: 'Ah, tem que comprar é feijão'. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar.”

Maria Antonieta, que entrou para a história por mandar às vésperas da revolução, não iria tão longe. Dela ao menos nunca ninguém obteve a prova em áudio de que de fato mandou o povo francês comprar brioches na falta de pão.

Bolsonaro faz escola. Seu ministro da Economia dizia que se fizesse muita besteira o dólar chegaria a R$ 5. Faz mais de ano que a barreira foi ultrapassada, mas ele prefere, à moda do chefe, terceirizar a culpa. Para ele, só quem tem interesse no calendário eleitoral está preocupado com o preço das coisas, a começar pela energia. Qual o problema, afinal, em aumentar o valor da conta de luz? Vamos chorar até quando?

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Foi mais ou menos o que Bolsonaro disse quando mandou parte dos seus eleitores parar de chorar pelos mortos na pandemia. Aquela que seria apenas “histeria” e estava no “finzinho” há quase um ano.

Já são mais de 570 mil mortos.

Ao longo da semana, alguns sinais de cessar-fogo foram avistados no céu de Brasília. O Superior Tribunal de Justiça trancou o avanço das investigações sobre Flávio Bolsonaro. 

Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, impediu a quebra de sigilo do advogado da família presidencial.

E os governadores estenderam bandeira branca e propuseram uma conversa com o presidente que tem intoxicado o debate e jogado em seus colos a culpa pela crise econômica e o aumento do preço da gasolina.

Bolsonaro pegou a bandeira branca e incendiou com a gasolina a R$ 7 o litro.

Quem imaginava que o capitão seria moderado com a chegada do centrão ao coração do Palácio há dias não sabe o que fazer, nem o que dizer, sobre o touro solto na sala de cristais.

Bolsonaro queria o voto impresso e perdeu.

Pediu o impeachment de um ministro do Supremo e não foi atendido.

Segue o jogo? Não com ele, que pediu votos para presidente e agora exige o passaporte de imperador.

Sem ter o que explicar sobre a deterioração do cenário econômico, arrastado nas âncoras das crises que ele explode diariamente, ele agora chama quem quer comprar feijão de idiota, como já havia feito com quem lhe cobrava vacina.

Quando fala em eleições de 2022, Bolsonaro age como uma equipe que vai para o vestiário perdendo o jogo por 2 a 0 disposta não a reverter o placar no segundo tempo, mas a botar fogo no campo e apertar o gatilho do fuzil contra parte da torcida que ousar reclamar. É essa a sua condição para voltar ao jogo: furar a bola e criar as próprias regras dizendo que isso é a ConstituiçãQuem imaginava que o capitão seria moderado com a chegada do centrão ao coração do Palácio há dias não sabe o que fazer, nem o que dizer, sobre o touro solto na sala de cristais. Não é.

O auge do ímpeto destrutivo, acima do tom até para os padrões bolsonaristas, coincide com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, de mandar as redes sociais, como o YouTube, suspenderem o repasse de dinheiro para canais amigos que, com mentiras e verdades torturadas, transformaram o deputado mais despreparado da última legislatura em um candidato a presidente competitivo. Um mito, desmentido em qualquer debate pareado com o mundo real.

Daí o revide do presidente a quem alvejou seus apoiadores pelo bolso.

“Não sou machão, não sou o único certo. Agora, do outro lado não pode um ou dois caras estragarem a democracia do Brasil. Começar a prender na base do canetaço, bloquear redes sociais. E agora o câncer já foi lá para TSE, lá tem um cara também que manda desmonetizar as coisas. Tem que botar um ponto final nisso. E isso é dentro das quatro linhas (da Constituição)”.

A suspensão da fábrica de realidade paralela parece ter tirado o presidente do sério. Em qualquer lugar do mundo, seria razão para todo tipo de reprimenda um ataque frontal do tipo a uma instituição como o TSE seguida de uma referência à tomada das armas pelos fuzis. Justo ele e sua turma, que gosta de usar imagens de rapazes armados de fuzis na favela para defender ação enérgica do Estado.

Bolsonaro parece descontrolado. E está.

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