Bolsonaro nega corrupção em Covaxin, ataca Coronavac e mente sobre máscaras

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BRASILIA, BRAZIL - JUNE 23: Brazilian President Jair Bolsonaro looks on during a forum on Borders Protection at Planalto Government Palace on June 23, 2021 in Brasilia, Brazil. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
BRASILIA, BRAZIL - JUNE 23: Brazilian President Jair Bolsonaro looks on during a forum on Borders Protection at Planalto Government Palace on June 23, 2021 in Brasilia, Brazil. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se defendeu, nesta quinta-feira (24) das acusações de corrupção envolvendo o seu governo em relação ao acordo pela compra da vacina indiana Covaxin. Em sua live semanal nas redes sociais, Bolsonaro ainda atacou a Coronavac, afirmando que a vacina "parece não estar dando certo", e voltou a divulgar informações falsas envolvendo o uso de máscaras.

Sobre as acusações de que o acordo pela compra da Covaxin – o Ministério Público Federal identificou possível crime, superfaturamento e corrupção –, Bolsonaro começou dizendo que os auditores do Tribunal de Contas da União "não viram, em março, indício de sobrepreço na vacina Covaxin". "Eu não vou entrar em muitos detalhes, porque a coisa é tão ridícula...", disse Bolsonaro.

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O presidente citou o próprio laboratório indiano e afirmou que o preço está de acordo com outros países que manifestaram a intenção de compra da Covaxin. Na sequência, repetiu o discurso habitual de que "pode haver" corrupção no governo por causa da quantidade de ministérios e servidores.

Bolsonaro, no entanto, negou que qualquer irregularidade tenha chegado a seu conhecimento. Ele também criticou o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), autor da denúncia, que afirma ter alertado o presidente sobre o caso em uma conversa entre os dois no mês de março.

"Determinei à Polícia Federal que investigue esse caso, desse deputado aí, que tem uma ficha bastante extensa", provocou Bolsonaro. "Isso aconteceu em março, e quatro meses depois ele resolve falar. Para desgastar o governo? O que ele quer com isso? Andou comigo de moto em Brasília, esteve aqui conversando comigo."

Bolsonaro também afirmou que o caso será apurado e que, "com certeza, quem buscou armar isso vai se dar mal". Na sequência, questionou: "Corrupção, pessoal? Não gastamos 1 centavo com Covaxin, não recebemos uma dose de Covaxin. Que corrupção é essa?"

Depois, admitiu que conversou com o deputado, que "não falou nada de corrupção em andamento", segundo Bolsonaro. "Não tem nada. Passou quatro, cinco meses, que ele conversou comigo – conversou sim, não vou negar isso aí – e não aconteceu nada. Não entrou no Brasil uma só dose de Covaxin.

Ataques à Coronavac

Na live de hoje, o presidente também atacar a Coronavac, ao mesmo tempo que fez sua habitual defesa dos medicamentos sem eficácia contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina e a ivermectina. Ele disse que a vacina, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. "Vocês estão vendo que essa vacina aí, a Coronavac, tá tendo problema em alguns países no mundo como, por exemplo, o Chile", disse o presidente.

"No Brasil não está sendo diferente. A gente vê notícia de asilo, de idosos, que tomaram as duas doses e, depois de algum tempo, são infectados e entram em óbito. Então, se você tomou a vacina, a Coronavac, e porventura for infectado, procure um médico. Quem sabe você pode iniciar o tratamento imediato também. Botaram na cabeça dessas pessoas que, se elas tomaram vacina e forem acometidas pelo vírus, a consequência vai ser branda. E tem gente morrendo por causa disso", discursou.

Ele voltou a criticar o imunizante ao citar novamente a história de que David Uip, que comandou o Comitê de Contingenciamento de São Paulo, tomou hidroxicloroquina ao contrair o coronavírus ainda nos primeiros meses da pandemia, quando o medicamento era estudado no combate à doença.

"Perguntaram o que ele usou [para se tratar] e ele disse: 'isso cabe ao médico'. É lógico, o seu governador [João Doria] queria comprar a vacina, né? Essa vacina que tá aí. Vocês tão vendo o que tá acontecendo com essa vacina aí. Tá certo? Então ele não podia falar o que ele tomou, porque é um remédio barato, que serve pra malária. (...) Mas ele se curou."

"Qual a grande jogada? A vacina é cara. Então, se tem algo barato, ele tem que deixar de existir. O senhor David Uip teve a oportunidade ímpar pra falar 'não quero que mais gente morra'. Esse é o trabalho do médico. 'Eu tomei isso, foi receitado, isso pra mim'. Aquilo que dei pra ema", ironizou Bolsonaro, em alusão à hidroxicloroquina.

Depois, Bolsonaro voltou ao assunto da Coronavac e disse que uma pessoa reclamou para ele que tomou a vacina, mas não se sente imunizado – o presidente não explicou a que a pessoa se referiu exatamente ao fazer essa afirmação.

"Estão vendo agora a pouquíssima eficácia da Coronavac. Hoje, no avião, tinha um colega reclamando que tomou as duas doses e 'não tô com nada, parece que não tomei nada, imagina se eu tivesse...'", disse o presidente, sem concluir a frase.

"E passou pela Anvisa. Passou apertadinho, 50,38%", acrescentou, afirmando que a agência sanitária cumpre seu papel de forma independente. "Mas, pelo que parece, não tá dando certo, ou tá pegando em pouca gente e não naquela quantidade de gente que ia pegar", acusou.

Informações erradas sobre possibilidade de transmissão e reinfecção do vírus

Mesmo depois de admitir que tomou hidroxicloroquina novamente esse ano, quando sentiu sintomas e desconfiou ter sido reinfectado pelo coronavírus, Bolsonaro mentiu ao dizer que quem já contraiu o vírus ou se vacinou "não transmite e não pega".

Há casos de covid-19 por reinfecção, inclusive fatais, e a pessoa está sujeita a transmitir o vírus para outros. O mesmo vale para a vacina, cuja função é proteger o corpo de um agravamento da doença.

O presidente já havia feito essa afirmação na semana passada, sempre no contexto de sua defesa da desobrigação do uso de máscaras – ele recomendou que o Ministério da Saúde faça um estudo sobre esse tema.

"Quem já teve o vírus, como eu, ou quem já foi vacinado, não transmite e não pega. E quem for contra é porque não acredita na vacina. Você acredita na vacina? Porque, então, vindo um parecer favorável da Saúde, a gente não vai abolir a máscara?", disse o presidente.

Na sequência, ele afirmou, sem apresentar fontes ou evidências dessa informação, de que crianças que usam máscaras respiram de boca aberta.

"Tem criança de 2, 3 anos, usando máscara. Se tirar a máscara da criança, ela tá com a boca aberta. E entendo, pelo que sei, que criança de boca aberta tem problema. Tá respirando pela boca, o ar que tá entrando no seu pulmão não é o mais adequado possível", disse. "Se eu estiver errado, semana que vem eu me desculpo aqui. Mas vê com o médico se criança pode ficar o dia inteiro com máscara, respirando pela boca."

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