Bolsonaro nega corrupção com vacinas e foca em ataques ao STF e sistema eleitoral

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Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira, 01 de Julho. Foto: Reprodução/Youtube
Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira, 01 de Julho. Foto: Reprodução/Youtube

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou as acusações envolvendo o governo federal sobre a compra de vacinas, o foco atual da CPI da Covid no Senado, e usou a maior parte da sua live nesta quinta para atacar ministros do Supremo Tribunal Federal e o sistema eleitoral brasileiro, fazendo sua habitual defesa do comprovante impresso do voto – chamado pelo presidente de "voto auditável".

Ainda no início da transmissão, enquanto atacava a imprensa, Bolsonaro citou o depoente de hoje na CPI – o cabo da PM de Minas Gerais, Luiz Paulo Dominguetti, que teria negociado a venda de vacinas ao Ministério da Saúde e acusou o então diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, de pedir propina de US$ 1 por dose do imunizante.

"Eu quero saber a reação da imprensa sobre a CPI hoje. Foi bonito hoje quando o cabo falou um negócio lá meio esquisito para um senador", disse o presidente, sem esclarecer a que trecho se referia. Na sequência, negou que tenha havido corrupção na compra dos imunizantes. "Que corrupção é essa? Não pagamos R$ 1 por nada, não recebemos uma ampola."

Bolsonaro então fez referência a outra acusação de corrupção envolvendo vacinas, dessa vez relacionada à indiana Covaxin. Segundo ele, os pedidos do governo por 300 mil doses da vacina se referiam, na verdade, a 300 mil frascos. "Cada frasco são 10 vacinas, então são 3 milhões [de doses]. Nada de errado", alegou.

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Ele retornou ao tema já na parte final da live. Ele voltou a citar o depoente de hoje e lembrou que Dominguetti fez uma citação ao deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) – pivô da denúncia envolvendo a Covaxin e o Ministério da Saúde e que tem sofrido ataques do presidente.

Na CPI, Dominguetti primeiro divulgou um áudio insinuando que Miranda participou da negociação por vacinas, o que não estava claro na gravação – o deputado negou que a conversa se tratasse disso. Senadores da oposição questionaram se o depoente não havia sido "plantado" na CPI e chegaram a ameaçá-lo de prisão por falso testemunho.

Já no final de seu depoimento, Dominguetti recuou e disse que "pode ter sido induzido" a acreditar que o áudio envolvia a negociação de vacinas. Mesmo assim, Bolsonaro – que disse não conhecer o depoente – citou o episódio na live.

"No depoimento de hoje do cabo da PM de Minas Gerais, ele falou que foi procurado por uma 'propininha' de R$ 2 bilhões... ele não aceitou e depois citou o nome do deputado", declarou o presidente, sem falar o nome de Miranda. "Vocês olham o nome do deputado e acham qual deputado é esse."

Luiz Paulo Dominguetti em depoimento na CPI da Covid.
Luiz Paulo Dominguetti em depoimento na CPI da Covid.

"A CPI está há dois meses funcionando. No que ela contribuiu para evitar ou diminuir o número de mortes? O que eles fizeram? Nada. Só inferno o tempo todo", reclamou. "Essa CPI serve para quê? Poderia estar discutindo coisa importante e fica de palhaçada", disse, desferindo ataques a senadores oposicionistas como Otto Alencar (PSD-BA) e Renan Calheiros (MDB-AL). "CPI não é lugar de palhaçada não, é coisa séria", bradou.

Ataques ao STF e alegação de fraude nas eleições

Bolsonaro utilizou a maior parte do tempo da transmissão para atacar o Supremo Tribunal Federal e o sistema eletrônico de votação. Ele subiu o tom de ameaça aos ministros que se reuniram com líderes partidários para evitar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que estabeleceria a obrigatoriedade do comprovante impresso do voto junto à urna eletrônica.

"São três ministros do Supremo que não querem voto impresso, diz que isso [urna eletrônica] é confiável e diz que eu não tenho provas de fraude. E vocês não têm prova de que não tem fraude. No mínimo, empatou, e eu estou querendo transparência. Nada mais além disso", reclamou.

"Eu entrego a faixa presidencial pra qualquer um que ganhar comigo de forma limpa. Na fraude, não", disse Bolsonaro, que em seguida se dirigiu aos eleitores. "Para o Brasil agora: tiraram o Lula da cadeia. Os crimes dele são inacreditáveis", disse, citando casos de corrupção envolvendo Petrobras, Caixa Econômica Federal e Correios. "Tiraram o ladrão da cadeia e tornaram o ladrão elegível. No meu entender, na fraude, porque no voto ele não ganha de ninguém."

Jair Bolsonaro. REUTERS/Adriano Machado
Jair Bolsonaro. REUTERS/Adriano Machado

Mais tarde, ele citou os nomes dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli como participantes da reunião com os líderes partidários, mostrando uma fotografia do encontro.

"Se o Congresso votar e promulgar, teremos eleição auditáveis no ano que vem e ponto final. Se o Congresso não aprovar por esse tipo de pressão, isso não é democracia não", ameaçou. "O Supremo me acusou de interferir na Polícia Federal e não tem prova de nada, mas eles estão interferindo no Congresso."

Bolsonaro disse que o encontro com os líderes partidários era "quase uma imposição" dos ministros do Supremo sobre os parlamentares e chegou a citar que os membros da Corte poderiam estar buscando benefícios.

"Parece até que esses ministros estão negociando alguma coisa com o Legislativo. 'Olha, a gente não quer o voto impresso. Em contrapartida, a gente pode conversar o que vocês não querem do Supremo.' Parece que é isso aí. Isso é horrível para a democracia", acusou.

O presidente ainda criticou Alexandre de Moraes por abrir um inquérito que investigará uma possível organização criminosa responsável por disseminar fake news. Ele disse que duas deputadas aliadas serão investigadas, assim como seus filhos Flávio e Carlos. "Será que é um troco porque falei de voto auditável hoje de manhã?", provocou.

"Coronavac não deu certo"

Em meio aos habituais ataques a medidas de isolamento e a defesa de remédios sem eficácia contra a Covid-19, Bolsonaro novamente citou que a vacina Coronavac "não deu certo" e aproveitou para provocar o governador de São Paulo e opositor João Doria (PSDB).

"Tem uma vacina aí que infelizmente não deu certo. Eu estou aguardando aquele cara de São Paulo falar que não deu certa aquela vacina dele no Chile. Aqui no Brasil também parece que está complicada. Torcemos para que essas noticias não estejam muito certas, mas parece que infelizmente não deu muito certo", disse Bolsonaro, que sempre criticou a Coronavac.

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