Bolsonaro nega que ministro da Saúde esteja dificultando indicação de cloroquina

Gustavo Maia
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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro foi questionado na manhã desta segunda-feira por um apoiador sobre a demora do ministro da Saúde, Nelson Teich, em endossar o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 e disse que essa informação não é verdadeira, pois o medicamento já está "no protocolo". Em seguida, afirmou que a droga já está nas farmácias de Brasília, mas está em falta em alguns estados. E que o governo tentaria correr atrás para identificar o motivo da suposta ausência.- Não é verdade essa informação, que tá no protocolo. Tem estado que não tá aceitando, tá dificultando, outros não. Tem a cloroquina aqui nas farmácias em Brasília, aqui tem. Alguns Estados não tem. Vamos tentar correr atrás para ver por que não tem - declarou Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.O uso da cloroquina, usada contra malária, lúpus e artrite reumatoide, foi regulamentado pelo Ministério da Saúde para casos graves em decorrência do novo coronavírus. Teich, por sua vez, já declarou que o remédio não será um “divisor de águas” no tratamento dos casos da Covid-19, como defendeu o presidente desde o as primeiras semanas da pandemia.A interação com os apoiadores nesta segunda durou menos de três minutos e foi marcada pela impaciência do presidente. Um apoiador que vai ao Alvorada praticamente todas as manhãs pediu que Bolsonaro desse "um alô" ao pessoal do canal que tem do YouTube, mas ouviu uma negativa. O presidente também interrompeu outro frequentador assíduo do "cercadinho" dizendo que já sabia qual era o pleito dele.Quando uma mulher perguntou sobre "a história da China que segurou informação, pediu pra OMS [Organização Mundial da Saúde] segurar", ele se recusou a responder:- Você que tá dizendo. Mais alguma coisa aí? - disse o presidente. A interlocutora deu risada.Outro simpatizante tentou falar com o presidente, que o interrompeu:- Dá licença aí.Já ao final da passagem de Bolsonaro pelo local, um apoiador pediu "um alô pra Ribeirão Preto" e o presidente o cortou:- Não vou dar alô pra ninguém, desculpa aqui.Sem falar com os jornalistas que estavam na porta do Alvorada, ele entrou no carro do comboio depois que um homem afirmou que a "mídia suja" mente que sua popularidade está caindo. Bolsonaro fez sinal de positivo com a mão pergunta se havia "mais alguma coisa", antes de dar as costas.