Bolsonaro nega responsabilidade e compara invasão terrorista a atos 'praticados pela esquerda'

Mais de seis horas após o início dos atos terroristas em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou ter qualquer responsabilidade sobre o episódio de invasão ao Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Em publicação nas redes sociais, Bolsonaro associou o atos de vandalismo à esquerda, disse que depredações "fogem à regra" e criticou o presidente Lula.

"Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra", escreveu.

Na publicação, o ex-presidente, que está em Orlando, nos Estados Unidos, disse que ao longo do seu mandato sempre atuou "dentro das quatro linhas da constituição, respeitando e defendendo as leis, a democracia, a transparência e a nossa sagrada liberdade."

Bolsonaro, contudo, levantou sem provas dúvidas sobre o processo eleitoral, participou de atos antidemocráticos e por diversas vezes deu declarações dúbias sobre uma possível intervenção das Forças Armadas. Na publicação na noite deste domingo, Bolsonaro disse repudiar as declarações do presidente Lula que relacionou os atos deste domingo ao ex-presidente.

"No mais, repudio as acusações, sem provas, a mim atribuídas por parte do atual chefe do executivo do Brasil", escreveu.

Mais cedo, por volta das 19h26, Jair Bolsonaro apareceu em frente à casa onde está hospedado em Orlando para cumprimentar apoiadores. Como costuma fazer diariamente, o ex-presidente posou para fotos com os bolsonaristas, que formavam uma enorme fila nos arredores da residência. Em transmissão ao vivo nas redes sociais de um eleitor, Bolsonaro aparecia sorrindo, mas não fez comentários sobre as invasões em Brasília.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que o ex-presidente é responsável político pelas invasões terroristas.

— Politicamente é claro que, na medida que houve o que houve, ou seja, uma transição conflituosa, e que não houve um reconhecimento do resultado eleitoral e, pelo contrário, houve uma instigação para acreditar em esoterismos, teses exóticas, estranhas, agressivas, é claro que a responsabilidade política (de Jair Bolsonaro) é inequívoca. Responsabilidade jurídica, aí obviamente cabe ao Poder Judiciário, ao Ministério Público. Eu não vejo, neste momento, qualquer elemento de responsabilização jurídica do ex-presidente da República. Poderá aparecer? Sim, poderá. Mas neste momento não há. Responsabilidade política, sim. Todos aqueles que querem polarizar, instigar a prática de crimes, extremismos, são politicamente responsáveis, por ação ou por omissão.