Bolsonaro no Cara a Tapa: Presidente citou informação falsa sobre a Ditadura de 64

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro no Cara a Tapa, programa transmitido no YouTube, em 13 de agosto de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro no Cara a Tapa, programa transmitido no YouTube, em 13 de agosto de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
  • O candidato e presidente Jair Bolsonaro participou no último sábado (13) de entrevista ao canal do YouTube Cara a Tapa, com Rica Perrone

  • Na conversa, ele tratou sobre sua trajetória e falou sobre episódios relacionados ao Golpe Militar que ocorreu no Brasil em 1964

  • Embora o presidente tenha dito a verdade sobre seu histórico no Exército, declaração sobre a Ditadura envolveu informações falsas

Na manhã do último sábado (13), o candidato à reeleição e presidente Jair Bolsonaro (PL) participou do programa Cara a Tapa com o apresentador Rica Perrone. Na entrevista de cerca de 2 horas e 46 minutos, o mandatário tratou sobre diversos assuntos, como sua trajetória e também sobre o Golpe Militar ocorrido em 1964.

Confira a análise da reportagem do Yahoo! Notícias sobre as declarações de Jair Bolsonaro.

Passagem pelo Exército

"Por exemplo, tem gente que diz que eu fui expulso do Exército. Não tem nada a ver"

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao canal do YouTube Cara a Tapa, em 13 de agosto de 2022

A informação é verdadeira. Diferentemente do que costuma circular nas redes, Bolsonaro não foi expulso do Exército.

Ainda quando atuava na instituição, Bolsonaro foi acusado por conta de cinco irregularidades e respondeu a um Conselho de Justificação. O motivo das acusações envolveu um artigo escrito por ele para a Revista Veja em 1986 pedindo um aumento salarial e uma publicação da mesma revista que o acusou de ter planejado com outro oficial a explosão de bombas em quartéis no Rio de Janeiro.

O conselho considerou Bolsonaro culpado, mas após recorrer ao STM (Superior Tribunal Militar), foi absolvido.

O presidente chegou a ser preso durante 15 dias em 1986 por conta do episódio do artigo do aumento salarial. No entanto, seu afastamento da corporação em 1987 foi motivado por sua candidatura à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e por não uma suposta expulsão.

Documentos de 64

"Eu acho que foi 2012, 2013, um partido de esquerda, não sei se foi o PSOL, apresentou um projeto de decreto legislativo, um projeto de lei, para anular a sessão de 2 de abril de 64 que havia então votado pela vacância da cadeira do João Goulart [...]. Mas eu já tinha uma cópia, está comigo, do Diário da Câmara dos Deputados. Então tudo foi ou pintado de preto ou incinerado e eu tenho a cópia pra mostrar a verdade".

Presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro em entrevista ao canal do YouTube Cara a Tapa, em 13 de agosto de 2022

De fato, em 2013, a resolução de número 4 de 2013 foi aprovada pelo Congresso Nacional para anular a "declaração de vacância da Presidência da República efetuada pelo Presidente do Congresso Nacional durante a segunda sessão conjunta de 2 de abril de 1964".

O projeto, porém, teve como autores não somente parlamentares da esquerda como Randolfe Rodrigues, à época do PSOL, como também Pedro Simon do PMDB, dentre outros.

Alem disso, é falso que os documentos da sessão de 2 de abril de 1964 tenham sido apagados ou incinerados. Uma cópia do Diário da Câmara, que contém uma cópia da ata da sessão conjunta ocorrida naquele dia, está aberta no site do Senado Federal. Além disso, um áudio da sessão também está disponível no site da Câmara de Deputados.