Bolsonaro nomeia indicado do PL, partido do centrão, para diretoria de fundo bilionário da Educação

JULIA CHAIB E PAULO SALDAÑA
ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 15.05.2020 - O presidente Jair Bolsonaro na rampa do Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um indicado do PL, partido que compõe o chamado centrão, foi nomeado nesta segunda-feira (18) pelo governo Jair Bolsonaro para comandar uma das principais diretorias do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão de orçamento bilionário ligado ao MEC (Ministério da Educação).

Garigham Amarante Pinto assumiu a Diretoria de Ações Educacionais do FNDE, conforme publicado no Diário Oficial da União. A diretoria é responsável pela gestão de alguns dos programas mais importantes do fundo, como os de livro didático, transporte escolar e de transferências diretas para as escolas.

Chefe de gabinete da liderança do PL na Câmara, Garigham é nome de confiança de Waldemar Costa Neto, que comanda o partido. Formado em direito pelo Uniceub em 1996, Garigham passou a trabalhar no PL como assessor de plenário em 1998. Desde então, ele ficou apenas sete meses sem trabalhar na legenda. É chefe de gabinete da liderança da sigla desde 2007.

Apesar de sustentar discurso contrário à prática de loteamento político de cargos, Bolsonaro tem negociado nomeações com líderes do centrão como estratégia para evitar um processo de impeachment.

O FNDE sempre foi alvo de assédio políticos por causa do considerável orçamento, de cerca de R$ 55 bilhões, e da capilaridade de atuação em todo país. No ano passado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, já havia transferido o comando do FNDE a um indicado de partidos como o PP e DEM após negociação para a reforma da Previdência.

No fim do ano, entretanto, Weintraub demitiu Rodrigo Sergio Dias da presidência do fundo pra manter o controle orçamentário do órgão. A saída de Dias frustrou, na ocasião, o loteamento da diretoria entregue agora ao PL -o posto estava prometido para uma indicação do MDB ou Republicanos.

A presidência do FNDE foi prometida ao PP, que já enviou nomes ao governo -depois da saída de Dias, o fundo é comandando por Karine Silva dos Santos, servidora de carreira e alinhada com Weintraub. O Republicanos também seria contemplado com espaço em alguma diretoria.

Weintraub é um dos ministros mais resistentes a nomear indicados do centrão. Segundo líderes partidários na Câmara, o ministro ficou tão contrariado com a obrigação de ceder a presidência e diretorias do órgão que sugeriu ao ministro Walter Braga Netto (Casa Civil) que assumisse o órgão em sua pasta.

Braga Netto, no entanto, teria recusado a oferta.

O Planalto, então, colocou Weintraub na parede. Sob a ameaça de ser exonerado, o ministro cedeu. Em reuniões coletivas e individuais, Bolsonaro avisou que suas indicações deverão ser respeitadas ou ele poderá substituir a equipe.

Desde então, Weintraub diz a pessoas próximas que criará filtros de gestão na pasta para garantir qualidade. Apesar de gerenciar programas importantes dentro do FNDE, a diretoria de Ações Educacionais trabalha com um orçamento com baixa discricionariedade de execução.