Bolsonaro oficializa candidatura no Rio, convoca apoiadores para o 7 de setembro e ataca adversários

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REUTERS - RICARDO MORAES
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Em evento no Rio de Janeiro que confirmou a chapa Bolsonaro/Braga Netto, presidente atacou adversários e justiça, e acenou às mulheres e aos conservadores, não escondendo desconforto com o voto jovem na esquerda

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Na convenção do PL que oficializou Jair Bolsonaro como candidato à reeleição, o presidente criticou adversários e a justiça, fez um balanço de seu governo, defendeu sua postura na pandemia do coronavírus, mostrou preocupação com o jovem que hoje vota com a esquerda e convocou seus eleitores a irem às ruas e mostrar força política no dia 7 de setembro. “Convoco todos vocês para o 7 de setembro. Vamos às ruas pela última vez”.

Com integrantes de seu governo e do Congresso no palanque, como o presidente da Câmara Arthur Lira (PP/AL), Bolsonaro atacou com mais moderação o Supremo Tribunal Federal, dando a deixa para que a plateia entoasse gritos de “Supremo é o povo”. Bolsonaro disse que "esses poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da constituição. Isso interessa a todos nós".

Bolsonaro desta vez não focou seu discurso em ataques ao sistema eleitoral, como tem feito nos últimos dias. Embora tenha falado em ‘fraudes’ e ‘eleições limpas’, ele não citou urnas eletrônicas, tampouco demonstrou confiança no modelo brasileiro. Falou sim que, daqui a quatro anos, gostaria de passar a faixa para seu sucessor. “O que eu mais quero é lá na frente, bem lá na frente, entregar o poder de forma democrática e transparante para quem vier me suceder. Mas quero entregar um país muito melhor do que o que a gente recebeu em 2019.”

Na convenção, o presidente confirmou que seu vice na chapa à reeleição será o general e ex-ministro Braga Netto, dizendo que ‘vice tem que ajudar e não conspirar contra’. Bolsonaro afirmou que seu maior "exército é o povo". “Esse é o nosso exército, o exército do povo, o exército que está do nosso lado, que não admite corrupção, não admite fraude. Esse é o exército que quer transparência, quer respeito. Quer, não. Merece e vai ter".

Voto jovem

Em segundo lugar nas intenções de voto, com o objetivo primeiro de levar a disputa ao segundo turno, Bolsonaro por vários momentos não escondeu o desconforto com o apoio do eleitor jovem à esquerda. “Precisamos falar com nosso jovem. Temos que trazer o jovem de esquerda para nosso lado. Olha só como está a Venezuela, a Argentina, para onde está indo o Chile”.

O presidente também mencionou que “a maioria dos jovens que gosta de ficar mexendo no celular” deve ficar atenta a seus adversários que defendem o "controle social da mídia".

Ele também usou a estratégia de se ancorar na pandemia e no clima para rebater críticas de que sua gestão tem poucos programas e projetos a apresentar. “Compare meus três anos e meio com os três anos e meio de outros governos. Mas eu enfrentei uma pandemia. Eu enfrentei uma seca”. Também não deu o braço a torcer quanto à postura negacionista que adotou durante a crise sanitária e que dificultou o início da vacinação no Brasil. “Eu fui contra essa política do desemprego. A ditadura do fique em casa na pandemia”, declarou.

Primeira-dama

Antes do discurso do presidente, ele deu a palavra à primeira-dama Michelle, de olho no voto feminino, nicho que tem resistido a apoiar Bolsonaro na reeleição.

Michelle falou muito de Deus e concedeu ao marido a aura messiânica que a campanha, mais uma vez, tenta emplacar. "A reeleição não é por um projeto de poder, como muitos pensam, não é por status, porque é muito difícil estar desse lado, é por um propósito de libertação, é um propósito de cura para o nosso Brasil. Declaramos que o Brasil é do Senhor", disse.

Bolsonaro começou e terminou seu discurso citando a Bíblia, com vários apelos ao setor conservador da sociedade, dizendo que seus rivais querem legalizar o aborto, liberar as drogas e que crianças “sejam introduzidas ao sexo” na escola com cinco anos de idade. Ao falar de Lula, com a plateia gritando “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, usou várias alcunhas como “nove dedos”, “cachaceiro” e “bandido”.

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