Bolsonaro na ONU: Presidente faz discurso eleitoreiro e ignora problemas no Brasil

Jair Bolsonaro abriu a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (Foto: Reprodução)
Jair Bolsonaro abriu a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (Foto: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) abriu a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (20). O discurso teve tom eleitoreiro, com críticas a Lula (PT), principal adversário político na corrida eleitoral, memso sem citar o nome do político. Bolsonaro não falou sobre o problema da fome no Brasil e afirmou que a pobreza no país diminuiu.

Segundo o presidente, o país "extirpou a corrupção sistêmica" e citou desvios na Petrobras. Somente entre o período de 2003 e 2015, onde a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má gestão, loteamento político e em desvios chegou a casa dos US$ 170 bilhões. O responsável por isso foi condenado em três instâncias, por unanimidade. Delatores devolveram US$ 1 bilhão e pagamos para a bolsa americana outro bilhão por perdas de seus acionistas.", declarou.

Ao falar sobre a produção de alimentos, Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil fornece alimentos para todo o mundo, mas não citou a questão da fome no país.

Sobre a pobreza, o presidente disse que todo o mundo foi afetado durante a pandemia, mas que o Brasil está se recuperando. "Economia voltou a crescer. A pobreza aumentou em todo o mundo sob impacto da pandemia. No Brasil, ela já começou a cair de forma acentuada, os números falam por si só. A expectativa é que, no fim de 2022, 4% estejam vivendo abaixo da pobreza extrema. Em 2019, eram 5,1%."

Jair Bolsonaro também falou sobre a pandemia de covid-19. Apesar da demora para que o Brasil comprasse vacinas e das disputas políticas em relação a CoronaVac, o presidente louvou os esforços do país para imunizar os brasileiros.

"Quando o Brasil se manifesta sobre a agenda da saúde pública, falamos isso com a autoridade de um governo que, durante a pandemia da covid-19, não poupou esforços para salvar vidas e preservar empregos."

Entre os temas tratados, também foi citada a questão do meio ambiente. Bolsonaro declarou que partes da Amazônia seguem "intocadas". "Dois terços de todo o Brasil permanecem com vegetação nativa, que se encontra exatamente como estava quando o Brasil foi descoberto, em 1500. Na Amazônia brasileira, área equivalente à Europa Ocidental, mais de 80% da floresta segue intocada."

Bolsonaro falou sobre "liberdade religiosa" e anunciou que o Brasil está "de portas abertas para receber padres e freiras que estão sofrendo perseguição pelo regime ditatorial da Nicaragua". "O Brasil repudia a perseguição religiosa em qualquer lugar do mundo. Outros valores fundamentais para a sociedade brasileira, com reflexo na pauta dos direitos humanos, são a defesa da família, do direito à vida desde a concepção, à legítima defesa e o repúdio à ideologia de gênero", afirmou.

Ao falar sobre a defesa das mulheres, Bolsonaro citou a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, como um exemplo de "voluntariado", além de citar outras políticas públicas voltadas para o público. O presidente tem alta rejeição entre o público feminino e, também na ONU, tentou reverter o quadro.

A finalização do discurso foi uma exaltação do 7 de setembro, classificada por Jair Bolsonaro como "a maior representação cívica da história" do Brasil.

O presidente brasileiro compareceu ao funeral da Rainha Elizabeth II na última segunda-feira (19) e, depois, viajou para Nova York, nos Estados Unidos, onde acontece a Assembleia Geral.

Biden na quarta-feira

A tradição da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que o discurso de abertura seja do presidente do Brasil – Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro a falar.

Em seguida, normalmente, que fala é o presidente dos Estados Unidos. Isso, no entanto, será diferente em 2022. Joe Biden decidiu falar não nesta terça-feira (20), mas no segundo dia da Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (21), mesmo dia do discurso de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia.