Bolsonaro: os principais inimigos que o presidente fez em 2019

(AP Photo/Eraldo Peres)

É comum que homens públicos criem inimigos durante o exercício do poder. Mas, apesar de nunca ter sido conhecido por sua diplomacia, o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, talvez seja, em seu primeiro ano de mandato, um dos maiores entusiastas da regra.

Em pouco mais de 10 meses de mandato, Bolsonaro e seus filhos colecionam intrigas com a imprensa, diversos líderes mundiais, aliados “fiéis” e até o Papa Francisco.

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Imprensa e jornalistas “tradicionais”

O presidente Jair Bolsonaro nunca teve uma relação amigável com diversos veículos e jornalistas. Mas, ao ameaçar os órgãos da chamada “mídia tradicional” em vídeo publicado recentemente no Twitter, o presidente começou uma batalha com diversos veículos.

Além de cortar verbas publicitárias de variados veículos, como a Folha de S. Paulo, e ameaçar de prisão o editor-chefe do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, Bolsonaro sustenta que não vai renovar a concessão pública da Rede Globo. É de Bolsonaro a polêmica frase que faz a defesa de prender repórteres por “excesso jornalístico”.

Macron, Fernández e Merkel na mira do “capitão”

Um presidente, tradicionalmente, utiliza de todas as ferramentas a seu dispor para manter as melhores relações possíveis com a maior quantidade de países. Bolsonaro, na contramão, prega o fim de uma “agenda ideológica globalista”, o que dificulta as relações com históricos países aliados do Brasil, como a Argentina. Bolsonaro detonou o recém-eleito presidente argentino, Alberto Fernández, mais alinhado com a esquerda. Bolsonaro também entrou em confronto com aqueles que compactuam com um modelo liberal, mas pregam a defesa do meio-ambiente, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a Chanceler Alemã, Angela Merkel.

Bolsonaro detonou o aliado Gustavo Bebianno

Antes aliados, agora inimigos (Mauro Pimentel / AFPvia Getty Images)

Gustavo Bebianno, presidente do PSL durante as eleições de 2018 e Ministro da Secretaria-Geral da presidência nos dois primeiros meses de gestão, que foi demitido após escândalos que envolviam o partido em um esquema de candidaturas laranjas no ano passado. Bebianno logo se viu acuado após as acusações que envolviam principalmente o atual Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que coordenou a campanha do PSL em Minas Gerais.

Bebianno culpa o filho 02 do presidente, o vereador Carlos (PSC-RJ), de pedir sua cabeça como meio de estancar a crise. Hoje filiado ao PSDB de João Doria, possível candidato contra Bolsonaro em 2022, declara abertamente repúdio à maneira do presidente lidar com seus filhos e governar.

Alexandre Frota virou franco-atirador contra os Bolsonaros

Outro aliado do bolsonarismo, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), também abandonou o conturbado PSL e abraçou a tradicional sigla tucana a convite de João Dória. Aliado, militante e amigo pessoal do próprio Bolsonaro, Frota ganhou relevância política ao manifestar-se pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2015. Elegeu-se deputado em apoio à plataforma liberal-conservadora do ex-militar.

A lua de mel, contudo, logo teve fim quando o parlamentar reforçou a necessidade de investigação pelo envolvimento do senador e filho 01 do presidente, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), em transações suspeitas com o assessor Fabrício Queiroz. Frota também apoiou a CPMI das fake news, abandonando o partido por discordar dos caminhos adotados pela sigla. Hoje, forte crítico do governo, Frota denunciou as “milícias virtuais” do bolsonarismo.

A aliada Joice Hasselmann virou oposição ferrenha

Joice Hasselmann se não apoia mais o governo (Mauro Pimentel / AFP via Getty Images)

Jair Bolsonaro abriu a mais nova crise do PSL ao declarar que o presidente do partido, Luciano Bivar (PSL-PE), estava “queimado” e a sigla estava “morta”. Bivar prontamente organizou uma base parlamentar, cerca de 25 a 30 dos 53 Deputados Federais, a fazer oposição interna a Bolsonaro.

Entre os deputados que se uniram a Bivar estão o Delegado Waldir (PSL-GO) e Joice Hasselmann (SP). O primeiro perdeu seu cargo de líder do partido na Câmara para o filho 03, Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) após declarar, ressentido, que era, em referência ao presidente da República, “o cara mais fiel a esse vagabundo”.

Joice Hasselmann, cotada para concorrer à prefeitura de São Paulo no ano que vem, perdeu o posto de líder do governo para o senador Eduardo Gomes (MDB-TO).

Cacique Raoni foi acusado de ser um fantoche dos países ricos

Citado pelo Presidente, em seu discurso na ONU, como “peça de manobra de governos estrangeiros”, Raoni foi indicado a um Nobel da Paz este ano pela atuação em defesa da Amazônia e dos povos indígenas. O Cacique do povo caiapó é conhecido internacionalmente pela busca de apoio à defesa da Amazônia.

“Pontapés” no Papa Francisco

O papa e Bolsonaro não se dão bem (AP Photo/Andrew Medichini)

O papa Francisco é uma personalidade que destoa do presidente Bolsonaro há bastante tempo. Relatou suas preocupações com o Brasil em outubro de 2018, quando referiu-se a ameaças populistas pelo mundo. Olavo de Carvalho, “guru” intelectual da família Bolsonaro, disse no Twitter que o Papa Francisco deveria ser “retirado do trono de Pedro a pontapés, e o quanto antes”.

Apesar das notórias divergências entre os líderes do Vaticano e o atual governo brasileiro, a relação piorou quando os incêndios na floresta amazônica vieram à tona. O Papa Francisco condenou os “interesses” e o que chamou de “novo colonialismo” na região durante o Sínodo da Amazônia, que discutia os caminhos da Igreja Católica no território.

Nando Moura, um dos maiores youtubers de direita do Brasil

Nando Moura está sendo atacado pelos bolsonaristas após sair em defesa da CPI da Lava Toga. Posição contrária do senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O conflito provocou fissuras entre entre Moura e canais tradicionais da direita como o Terça Livre e o do Bernardo P. Kuster.

Nando Moura virou celebridade no YouTube durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma ao propagar discursos ofensivos a políticos alinhados à esquerda. Moura difundiu notícias consideradas notícias falsas e teorias da conspiração.