Bolsonaro participa de novo ato, enquanto mortes no Brasil por COVID-19 superam 16.000

O presidente Jair Bolsonaro (C) durante manifestação em Brasília neste domingo (17), enquanto a pandemia de coronavírus já deixou mais de 15.000 mortos no país

O presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo (17) de outra manifestação em Brasília, no momento em que o Brasil, o quarto com mais casos de COVID-19 no mundo, ultrapassa a marca dos 16.000 mortos pela doença.

Acompanhado de perto por vários de seus ministros, Bolsonaro cumprimentou centenas de seguidores que se aglomeraram em frente ao Palácio do Planalto com bandeiras do Brasil, cornetas, alto-falantes e cartazes com seu nome e a favor do uso da hidroxicloroquina para tratar o novo coronavírus, entre outras mensagens.

"É muito gratificante receber uma manifestação de apoio (...) Fortalece a todos nós", disse Bolsonaro após se aproximar de seus seguidores, separados apenas por grades. Tudo foi transmitido ao vivo nas redes sociais do presidente.

Bolsonaro não comentou a renúncia do ex-ministro da saúde Nelson Teich, que deixou o governo na sexta-feira sem cumprir nem um mês no cargo devido a "incompatibilidades" com o presidente, segundo informou uma fonte do gabinete à AFP.

O Ministério da Saúde está interinamente sob o comando do general Eduardo Pazuello.

Sempre minimizando a doença que já matou mais de 300.000 pessoas no mundo, Bolsonaro usou suas redes sociais neste fim de semana para continuar questionando as políticas de confinamento e elogiar o uso da cloroquina como tratamento contra a COVID-19, sem comentar os trágicos números do país.

No entanto, o presidente participou do ato em Brasília usando máscara.

Simpatizantes de Bolsonaro também fizeram carreatas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Brasil totaliza 241.080 casos e 16.118 mortes por COVID-19. Vários governadores e prefeitos relatam altas taxas de ocupação das unidades de terapia intensiva (UTIs), o que ameaça um colapso do sistema público de saúde.

Na cidade de São Paulo, epicentro da doença no país, com mais de 35.000 casos e quase 3.000 mortes até este domingo, o secretário municipal de Saúde informou que as mortes aumentaram 432% em cinco semanas e alertou que o sistema de saúde da cidade pode entrar em colapso em 15 dias se esses índices continuarem a subir.

Governadores e prefeitos defendem as medidas de confinamento, mas são confrontados por Bolsonaro. O Judiciário decidiu a favor do direito constitucional das autoridades estaduais e municipais de decidir sobre medidas restritivas para enfrentar a crise da saúde.

Seguidores de Bolsonaro realizaram manifestações, com a presença do presidente, atacando o Legislativo e o Supremo Tribunal Federal, ou pedindo uma intervenção militar e o fechamento do Congresso. Neste clima de tensão política, seis ex-ministros da Defesa lançaram um manifesto neste domingo pedindo às Forças Armadas para condenar os pedidos de intervenção militar.

"Qualquer apelo e estímulo às instituições armadas para a quebra da legalidade democrática - oriundos de grupos desorientados - merecem a mais veemente condenação", diz o texto assinado por Aldo Rebelo, Celso Amorim, Jaques Wagner, José Viegas Filho, Nelson Jobim e Raul Jungmann, ex-ministros dos governos Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016) e Michel Temer (2016-2018).

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