Bolsonaro pede a empresários para 'jogar pesado' para reabrir comércio

(Arquivo) O presidente Jair Bolsonaro usa máscara de proteção no Palácio da Alvorada, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro pediu nesta quinta-feira (14) aos empresários para "jogar pesado" contra o governador de São Paulo, João Doria, que é a favor das medidas de confinamento como forma de combate à disseminação do novo coronavírus.

Para Bolsonaro, trata-se de uma "guerra" na qual está em jogo a economia do país.

"Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, está decidindo o futuro da economia do Brasil. Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado, jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra. É o Brasil que está em jogo", disse Bolsonaro durante uma videoconferência com empresários.

Para frear a pandemia, o governador de São Paulo está avaliando decretar "lockdown" no estado, que no país é o epicentro da pandemia, com 51.097 casos (27% do total) e 4.118 mortes (31%).

A medida já foi aplicada em pelo menos três capitais brasileiras, incluindo Fortaleza e Belém, entre as mais atingidas pelo COVID-19.

Doria e outros dez governadores anunciaram na última quarta-feira que salões de beleza e academias permaneceriam fechados, apesar do decreto de Bolsonaro que classificou essas atividades como "essenciais", em uma nova tentativa de reabrir o comércio.

O governador de São Paulo decretou uma quarentena parcial de seu estado a partir março, com duração até 31 de maio.

O governador, aliado de Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, comentou o assunto nesta quinta em suas redes sociais.

"Mais uma vez, o presidente Bolsonaro deixa de defender a saúde dos brasileiros para atacar quem está trabalhando para proteger vidas. Prefere comícios, andar de 'jet ski', treinar tiros e fazer churrasco. Enquanto milhares de brasileiros morrem por coronavírus", escreveu Doria no Twitter.

O estado de São Paulo está em quarentena parcial desde 24 de março, o que permite que apenas empresas essenciais operem, como supermercados, hospitais, farmácias e bancos.

Durante a videoconferência com empresários, Bolsonaro também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por garantir a autonomia dos prefeitos e governadores em tomar decisões sobre confinamento.

Bolsonaro, que chegou a chamar o coronavírus de "gripezinha", acredita haver intenções políticas por trás das medidas dos governadores para "quebrar a economia" e prejudicar seu governo.