Bolsonaro pede que população "arranje um jeito" de entrar em UTIs de hospitais para verificar leitos

Colaboradores Yahoo Notícias
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Presidente Jair Bolsonaro durante live nesta quinta, 11 de junho de 2020 (Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro durante live nesta quinta, 11 de junho de 2020 (Reprodução)

Por Marcelo Freire

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a levantar suspeitas sobre os números de mortes que têm sido divulgado pelos Estados em decorrência da pandemia do coronavírus e encorajou a população a entrar nos hospitais e filmar os leitos de UTI – que são áreas restritas e de visitação controlada.

Bolsonaro fez a sugestão ao falar sobre a atuação do Ministério da Saúde, comandado pelo ministro interino Eduardo Pazuello, na recontagem dos dados de mortos da covid-19. Ele também acusou autoridades de ter "ganho político" com o número de mortos.

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"Tem dados que chegam, que a população reclama, que a pessoa tinha uma série de problemas, entrou em óbito. Não tinha contraído o vírus e aparece 'covid-19'. São dezenas de casos por dia que chegam nesse sentido. Tem um ganho político dos caras, só pode ser isso, aproveitando as pessoas que falecem para ter ganho político e culpar o governo federal", afirmou Bolsonaro.

"Falavam que tinha que fazer o isolamento para que os hospitais tivessem UTI e respiradores. Posso estar equivocado, mas pelas informações que temos, ninguém perdeu a vida por falta de respiradores", disse o presidente, que em seguida convocou a população a filmar os locais.

"Seria bom você fazer isso na ponta da linha. Tem hospital de campanha, hospital público, perto de você, arranja uma maneira de entrar e filmar. Tem muita gente fazendo isso, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis. Isso nos ajuda", declarou o presidente.

Bolsonaro disse que denúncias que chegassem a ele pelas mídias sociais seriam encaminhadas à Polícia Federal e à Abin (Agência Brasileira de Inteligência). "Não posso prevaricar. Se chega ao meu conhecimento, eu envio para que seja analisado e sejam abertos processos investigatórios."

O presidente, que também usou boa parte da sua live semanal nesta quinta-feira para atacar a Organização Mundial de Saúde, a qual chegou a se referir como "fajuta", afirmou que o governo busca transparência. "Os números têm que condizer com a verdade", afirmou Bolsonaro.

Em São Paulo, no último dia 4, deputados estaduais que se opõem ao governador João Doria e ao prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB, entrou em um hospital de campanha do Anhembi, que atende às vítimas da covid-19, e filmou o local.

A prefeitura de São Paulo disse que não houve autorização do hospital e nem de pacientes ou profissionais para a entrada do grupo de políticos e afirmou que abriria uma queixa-crime contra os deputados.

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