Bolsonaro perde processo contra padre Júlio Lancellotti e terá que pagar honorários ao religioso

Redação Notícias
·2 minuto de leitura
Padre Júlio entrega doações que a paróquia recebe diariamente |Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Padre Júlio entrega doações que a paróquia recebe diariamente (Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perdeu um processo na Justiça movido contra o líder da pastoral do Povo de Rua, o padre Júlio Lancelotti. Na sentença, publicada na sexta-feira (6), o juiz aponta a inexistência de qualquer delito e condena o presidente a pagar as custas e os honorários do processo.

Bolsonaro pedia indenização por danos morais. Porém, a ação foi negada pelo juiz Marcelo Nobre de Almeida, da 7ª Vara Cível do Rio de Janeiro, por entender que se tratava de “críticas incisavas, mas que não extrapolam os limites do respeito e da tolerância, não geram dano moral”.

Em 2017, Bolsonaro decidiu processar o padre por conta de uma fala onde o religioso afirmou que seria impressionante o então candidato à Presidência ter tantos seguidores apesar dos “posicionamentos homofóbicos e violentos”.

O vídeo foi divulgado nas redes sociais em março, às vésperas do Dia da Mulher.

Leia também

Na gravação, o padre defendeu os direitos das mulheres e fez duras críticas ao machismo e a homofobia. À época, o padre classificou o fato como “vergonhoso”.

Na sentença publicada nesta sexta-feira (6), o juiz entende que “independente do mérito da visão apresentada, parece razoável que este cenário seja o apropriado para que aquele público discuta temas da vida, segundo a visão de mundo e os valore sem que acreditem”, escreveu, referindo-se a fala do padre durante uma cerimônia religiosa.

“O que se verifica foi ter ocorrido uma tentativa de defesa mais veemente de uma outra visão dos temas que eram objeto da pregação e que são diametralmente opostos ao que é utilizado como bandeira pelo demandante”, diz trecho da sentença.

Ou seja, o padre apenas apresentou pontos de vistas diferente aos de Bolsonaro. Portanto, não houve crime. Por esse motivo, o magistrado condena o presidente a pagar as custas e os honorários do processo.