Bolsonaro pode ficar de fora do segundo turno em 2022?

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Presidente Jair Bolsonaro
Volta de Lula ao jogo político e desgaste com a pandemia ameaçam reeleição de Jair Bolsonaro (Photo by Mateus Bononi/Getty Images)
  • Possibilidade de Jair Bolsonaro ficar de fora do segundo turno em 2022 já é aventada por políticos e analistas

  • Desgaste com pandemia e volta de Lula ao jogo político podem ameaçar reeleição de Bolsonaro

  • No entanto, em entrevista ao Yahoo, cientista política Deysi Cioccari alerta que avaliação ainda é apressada

A possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro ficar de fora do segundo turno nas eleições presidenciais de 2022 é uma aposta que cresce nos meios políticos e entre especialistas. Embora pesquisas ainda mostrem Bolsonaro na liderança, o desgate com a condução da pandemia do coronavírus e a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jogo político ameaçam reeleição do presidente.

No entanto, a cientista política e pós-doutora em Comunicação Deysi Cioccari acredita que essa avaliação é muito apressada.

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Em entrevista ao Yahoo!, ela aponta que o cenário político para 2022 ainda depende de uma série de fatores. Segundo Cioccari, o índice de aprovação ao presidente - em torno dos 30% - garante Bolsonaro no segundo turno.

“Precisamos entender se até lá ele terá apoio do Congresso, como serão as tratativas com Centrão, precisamos ver como andará a economia e aí sim, o índice de apoio popular, que por enquanto, está entre aqueles 26% a 31% de acordo com Datafolha de março. Isso ainda é um índice que o mantém na disputa”, afirma.

'Efeito Lula' aumenta pressão sob Bolsonaro

Mas o fato é que a volta do ex-presidente Lula (PT) ao jogo eleitoral mexeu com a bolsa de apostas. Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de anular as condenações do ex-presidente relacionadas à Operação Lava Jato, Lula voltou a ficar elegível.

O discurso dele em março, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, além de fortalecer o nome do petista para o pleito em 2022, obrigou os adversários a se reposicionarem em relação à disputa presidencial.

Ex-presidente Lula, em entrevista coletiva, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP)
Ex-presidente Lula, em entrevista coletiva, após decisão do STF que anulou suas condenações pela Operação Lava Jato (Photo by Cris Faga/Anadolu Agency via Getty Images)

Para Deysi Cioccari, que também é professora, o efeito do discurso de Lula é inegável no meio político.

“Lula é quem domina a retórica, quem lida melhor com a imprensa e quem domina o jogo de cena. Tem uma frase do general de Gaulle [político francês] que eu gosto muito: ‘Sabe-se do cuidado que tinha Napoleão em só se apresentar em condições suscetíveis de impressionar os espíritos’. Lula é assim: ele só se apresenta quando ele sabe que pode impactar”, afirma.

“Lula, quando o assunto é espetáculo, domina a cena. Bolsonaro se elegeu sendo tipicamente oriundo de uma sociedade que privilegia o espetáculo, onde a imagem importa mais que o conteúdo, aparecer é mais importante. Lula domina o jogo de cena completo. E o discurso de Lula atinge o irracional, o não dito por ele é tão importante quando o dito. Lula, quando levado às massas, ministra de forma que o mais humilde o compreenda”, analisa.

Mudanças no discurso e reforma ministerial

O “efeito Lula” no governo de Jair Bolsonaro levou a uma mudança no discurso em torno da vacinação contra covid-19 e até a uma reforma ministerial na semana passada. Segundo Deysi Cioccari, “todas essas mudanças são de olho em 2022”.

“Bolsonaro reagiu pateticamente ao discurso de Lula, à tentativa de protagonismo do Doria, à carta dos economistas e tardiamente aos 300 mil mortos. O discurso da vacina é uma consequência disso. Quanto à reforma ministerial, ele tentou manter as três alas que dão sustentação ao seu governo: ideológica, militar e Centrão”.

Na avaliação dela, a reforma ministerial teve como objetivo ceder espaço ao Centrão dentro do governo.

“Tem uma pressão do Congresso que cada vez mais quer entrar no Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, o presidente da República precisa manter essa ala ideológica funcionando, essa bolha que o elegeu. A Flavia [Arruda, agora ministra da Secretaria de Governo] no governo é um exemplo disso. Mas ele também deixou transparecer nessa crise que não tem apoio dos militares. Essas últimas mudanças devem ter um impacto em 2022: Bolsonaro rifou seu governo”.

“O impacto é que colocando as peças-chave nos ministérios ele garante um apoio nas bases desses políticos que ascenderam ao cargo tornando a disputa de qualquer adversário mais complicada em função do dinheiro que deve ser liberado com isso”, defende a cientista política.

Terceira via como alternativa

Por outro lado, a ausência de Jair Bolsonaro no segundo turno em 2022 passa pela consolidação de uma candidatura da terceira via, uma frente ampla de centro. A discussão ainda envolve a definição de um nome de consenso, apesar de que a “pressão dos empresários e da elite financeira”, torne a aliança “provável”, segundo Cioccari.

“Tem que haver um consenso entre os nomes: Eduardo Leite, João Doria, Mandetta...é um time de ‘superestrelas’ que dificilmente aceitaria uma posição de vice. Há um fator importante que é a pressão dos empresários e da elite financeira por essa aliança de centro, o que torna algo bem provável. É preciso que se faça um caminho que não seja de extremos (direita ou esquerda) e alguns deixem a vaidade de lado para que um ‘centro’ possa efetivamente ir para a disputa”, avalia.

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB)
Governador de São Paulo, João Doria (Photo by Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)

A eventual candidatura de Lula ao Palácio do Planalto pressiona os partidos de centro-direita pela definição do nome que vai se colocar como uma opção a Bolsonaro e ao petista. Entre as opções estão os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos do PSDB, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o apresentador Luciano Huck, ainda sem partido.

“Doria tem alta rejeição, mas vem forte com a vacina, Leite não é conhecido no cenário nacional e Mandetta precisa de mais densidade, mas deve sair fortalecido porque a crise sanitária tende a piorar e deixou o Brasil estagnado. Possível é, mas vai exigir muita habilidade política. Tem espaço para uma terceira via e tempo suficiente para trabalhar nela, atraindo o eleitorado antibolsonarista e antipetista, mas será preciso sabedoria, estudo do cenário e gênio político”, diz.

<p>O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sinalizou nesta quinta-feira (11) que está disposto a disputar a vaga de candidato do PSDB à Presidência da República em 2022. Em almoço com parlamentares e dirigentes tucanos, ele reforçou a necessidade de haver diálogo político para que reformas sejam aprovadas.</p>
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sinalizou nesta quinta-feira (11) que está disposto a disputar a vaga de candidato do PSDB à Presidência da República em 2022. Em almoço com parlamentares e dirigentes tucanos, ele reforçou a necessidade de haver diálogo político para que reformas sejam aprovadas

De acordo com Deysi Cioccari, Doria tem ainda outro fator a seu favor: é um “animal político midiático”. Ela aposta que, no pleito presidencial de 2022, teremos um “animal político midiático” como vencedor.

“O Lula não é oriundo da mídia, então seria um “animal político”, uma figura que dedica a vida ao jogo político. O animal político midiático é oriundo da mídia, seria o Doria, que apesar de empresário, tentou a carreira política somente depois da mídia”.

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