Bolsonaro pode ter 'driblado' grampo da PF em Milton Ribeiro com app, diz delegado

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Jair Bolsonaro (PL) teria avisado ao ex-ministro Milton Ribeiro sobre Operação Acesso Pago em uma ligação que pode ter feita via app, segundo suspeita do delegado, para driblar o grampo da PF. (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
Jair Bolsonaro (PL) teria avisado ao ex-ministro Milton Ribeiro sobre Operação Acesso Pago em uma ligação que pode ter feita via app, segundo suspeita do delegado, para driblar o grampo da PF. (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
  • Revelação de conversa foi feita por Ribeiro à filha

  • No entanto, não há registro da ligação de Bolsonaro ao ex-ministro

  • STF decidirá se investiga o presidente

A ligação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao ex-ministro da Educação Milton Ribeiro para alertar sobre os avanços da Operação Acesso Pago pode ter sido realizada por um aplicativo que permite driblar interceptações telefônicas, afirmou o delegado federal Bruno Calandrini.

A conversa entre ex-ministro e presidente foi mencionada por Ribeiro à filha, em conversa interceptada pela Polícia Federal (PF), mas não há registro.

"Hoje o presidente me ligou? Ele tá com um pressentimento novamente, que eles podem querer atingi-lo através de mim, sabe?", disse o ex-ministro à filha. "Ele [Bolsonaro] acha que vão fazer uma busca e apreensão em casa."

Calandrini enviou um parecer à Justiça Federal, no qual avalia que o telefonema "tenha acontecido por meio de aplicativos de internet como, por exemplo, o WhatsApp". O sistema de criptografia de mensagens desses aplicativos protege conversas e as ligações não podem ser captadas por grampo telefônico.

Em certo momento, a filha afirma na ligação que está usando um “celular normal”, ao que Ribeiro responde: "Ah é? Ah, então depois a gente se fala".

O escândalo do 'Bolsolão do MEC'

A gestão de Milton Ribeiro no MEC

As repercussões da prisão do ex-ministro

O ex-ministro estava sendo monitorado com autorização do juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal do Distrito Federal, que ficou responsável por investigar suspeitas de corrupção no MEC após a saída de Ribeiro da pasta.

Após a revelação do grampo, a Procuradoria da República no Distrito Federal pediu que o processo fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), para que seja investigada "possível interferência ilícita" de Bolsonaro, já autorizado por Borelli. Agora, a decisão de incluir Bolsonaro entre os investigados cabe à ministra Cármen Lúcia.

No dia da prisão do ex-ministro, sua mulher, Miryan Ribeiro, que também foi grampeada, afirmou que o marido "já estava sabendo". "Ele estava, no fundo, ele não queria acreditar, mas ele estava sabendo. Eu falei: 'Pra ter rumores do alto é porque o negócio já estava certo'", declarou ao comentar a prisão.

Para o delegado, há indícios de vazamento da investigação e que as conversas "evidenciam" que Ribeiro "estava ciente" que a PF realizaria busca e apreensão.

"Os indícios de vazamento são verossímeis e necessitam de aprofundamento diante da gravidade do fato aqui investigado", escreveu em manifestação enviada à Justiça Federal em Brasília na sexta-feira (24).

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos