Bolsonaro precisa 'sair do retiro espiritual’ após derrota na eleição, cobra Mourão

Mourão afirma que Bolsonaro vai reconhecer capital político adquirido pelos 58 milhões de votos quando ‘sair de retiro espiritual’. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Mourão afirma que Bolsonaro vai reconhecer capital político adquirido pelos 58 milhões de votos quando ‘sair de retiro espiritual’. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
  • Ao falar sobre silêncio de Bolsonaro após eleições, Mourão diz que presidente está em ‘retiro espiritual’

  • Vice-presidente afirma que mandatário ainda vai reconhecer capital político adquirido no pleito de 2022

  • Mourão nega que vá entregar faixa presidencial a Lula e diz que, se Bolsonaro o fizer, será um ‘grande gesto’

O vice-presidente e senador eleito General Hamilton Mourão (Republicanos-RS) respondeu, ironicamente, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) está em um ‘retiro espiritual’ após a derrota nas urnas registrada no último dia 30 de outubro. A fala se refere ao silêncio do mandatário desde que perdeu as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mourão também lembrou que essa é a primeira vez, desde 1989, que Bolsonaro não terá mandato político. Todavia, o vice ressaltou o capital político dos 58 milhões de votos obtidos no segundo turno, que poderão, inclusive, capacitá-lo para retornar ao cargo em 2026.

"O presidente Bolsonaro, quando emergir do retiro espiritual dele, vai compreender que ganhou esse capital. Acho que ele tem que se posicionar no espectro político, trabalhar politicamente. Vai ser a primeira vez desde 1989 que ele não tem mandato. São 33 anos, é uma vida. É ele entender que agora ele terá uma posição dentro do PL, de presidente de honra. Ou seja, aqui em Brasília, articulando, tem todo o capital para voltar muito bem em 2026", disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Segundo o general da reserva, os últimos dias de governo têm sido dedicados a “limpar mesinhas” e preparar o espaço para o “novo inquilino”, em referência ao vice eleito, Geraldo Alckmin (PSB).

Na entrevista, o senador eleito comentou a entrega da faixa presidencial. Com a recusa de Bolsonaro em assumir a vitória de Lula (PT), se tem falado na possibilidade de ele, como vice, cumprir o gesto simbólico.

Sobre isso, Mourão respondeu que ‘não é o presidente’ e não pode repassar a faixa. E, na falta do atual mandatário, qualquer pessoa poderia fazer a entrega.

“Acho que está havendo uma distorção. Porque a passagem de faixa é do presidente que sai para o presidente que entra. Se o presidente, vamos dizer assim, ele não vai querer passar a faixa, não adianta dizer que eu vou passar. Eu não sou o presidente. Eu não posso botar aquela faixa, tirar e entregar. Então, se é para dobrar, bonitinho, e entregar para o Lula, pô, qualquer um pode ir ali e entregar”, afirmou.

O vice de Bolsonaro ainda apontou que seria ‘um grande gesto’ do chefe do Executivo cumprir o protocolo de entrega do cargo.

“Acho que seria um grande gesto. Sou um grande fã do Winston Churchill. Tem um aforismo dele que diz que, na guerra, você tem de ter determinação, na vitória tem que ser magnânimo e na derrota, tem que ser altivo e desafiador. Acho que seria um gesto de altivez e de desafio: “Toma aí, te vira agora aí, meu irmão. Te vejo em 2026””, completou.