Bolsonaro projeta disputa contra Lula em 2022: "eles estão vivos, vão disputar a eleição"

 

Bolsonaro faz live ao lado de Abraham Weintraub - Foto: Facebook/Reprodução

Resumo da notícia

Eles estão vivos, vão disputar a eleição em 2022", afirma presidente

Bolsonaro e Weintraub usam Venezuela e exame de estudantes para atacar petistas

Por Marcos Tordesilhas

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar seu maior opositor político, Lula, em sua transmissão ao vivo no Facebook nesta quinta-feira (16). Acompanhado do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ambos usaram o desempenho de estudantes brasileiros no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e o governo da Venezuela para criticar o governo do petista.

Logo no começo da live, Weintraub afirmou que o Brasil havia sido o último colocado na América do Sul no exame, realizado em 2018 e que teve seu resultado divulgado no ano passado. "Essa mídia tentou colocar na sua conta, mas quem fez esse exame foram as crianças que começaram no primeiro ano quando o Lula era presidente. É a educação toda do PT", afirmou o ministro da Educação.

Em seguida, Bolsonaro passou a elogiar os colégios cívico-militares, criticando os governos estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro – comandados por seus desafetos políticos João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC) – por não firmarem acordo para receber as escolas federais. 

Weintraub disse que "alguns governadores lá do Nordeste, de esquerda, também não quiseram". "Porque não interessa para eles ter uma juventude esclarecida, culta", respondeu Bolsonaro.

Na sequência, Weintraub citou a cerimônia que participou com o presidente nesta quinta-feira, com 30 crianças refugiadas venezuelanas. O ministro criticou o regime venezuelano e o comunismo. "Essa religião sem deus, essa coisa do demônio que é o comunismo, o socialismo. Vê o que fizeram na Venezuela, com crianças desesperadas."

Bolsonaro, então, passou a atacar Lula. "Você que gosta desse tipo de governo, amante do Lula. O Lula fazia campanha pro [Hugo] Chávez, pro [Nicolás] Maduro. O Lula, certa vez, falou que podia faltar tudo na Venezuela, menos democracia." 

O presidente, então, previu uma nova disputa eleitoral com o PT em 2022. "Falam para esquecer o Lula, mas não se pode esquecer esse pessoal que arrebentou o Brasil. Eles estão vivos, vão disputar a eleição em 2022. Quer que os caras voltem? Não tenho obsessão pelo poder, se chegar alguém melhor que eu, você tem todo direito de votar nele. Mas o que está em discussão é o futuro do Brasil, e esse regime da Venezuela não era muito diferente do que tinha aqui do PT."

Weintraub, ao citar o aumento de 12,84% no salário base dos professores, que irá para R$ 2.886,15, desferiu mais um ataque pessoal ao petista. "Não vou parafrasear o 'nove dedos', mas nunca antes na história tivemos um aumento acima da inflação real. O pessoal esquece que tinha inflação. O PT ia levar o Brasil de volta para a inflação."

Arte conservadora

A live também contou com a presença de Roberto Alvim, que assumiu a Secretaria da Cultura de Bolsonaro em novembro. Ele disse que a pasta lançará um edital em fevereiro que tratará sobre o financiamento de filmes de diversas categorias, incluindo obras que retratem a independência do Brasil ou "grandes figuras históricas brasileiras". Segundo ele, as obras serão alinhadas ao conservadorismo.

"Estamos tentando criar um cinema sadio, ligado a nossos valores e princípios e alinhado com o conservadorismo em arte. Uma arte que dignifique o ser humano", disse Alvim.

Bolsonaro afirmou que o Brasil terá "cultura de verdade", retomando as críticas a produções que receberiam financiamento da Ancine – no ano passado, o presidente atacou filmes e séries com temática LGBT.

"Antes, tinha a ideia de se fazer cultura para minorias. Vamos fazer cultura para a maioria. Nunca censuramos nada. Me revoltei, mandei suspender concessão, mas não é censura. O cara quer fazer um filme... tinham nomes terríveis, que eu não vou repetir aqui. Pode fazer, mas com o seu dinheiro", disse o presidente.

Em outro momento, Roberto Alvim afirmou que "a cultura foi deliberadamente adoecida nas últimas décadas, mas está retornando". Após anunciar a criação do Prêmio Nacional das Artes, na qual a pasta distribuirá patrocínio a óperas, exposições, peças de teatro e obras musicais e literárias, ele afirmou que 2020 representará uma "virada histórica" para a arte e voltou em falar em alinhamento com ideais do governo Bolsonaro.

"Espero inscrições do Brasil inteiro para que a gente crie arte de qualidade, alinhada com as transformações políticas que estão acontecendo no Brasil, com os anseios da população que trouxeram o senhor a esse cargo. Quando o senhor me convidou, me pediu que fosse implantada uma cultura que salvasse a juventude, não que destruísse. Essa é minha missão", concluiu Alvim.