Bolsonaro promete dobrar orçamento ambiental que ele mesmo cortou pela metade

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
En esta imagen de archivo, tomada el 23 de agosto de 2019, el presidente de Brasil, Jair Bolsonaro (de espaldas), abraza a su ministro de Medio Ambiente, Ricardo Salles, durante una ceremonia militar por el Día del Soldado en la sede del ejército en Brasilia, Brasil. (AP Foto/Eraldo Peres, archivo)
Em outras palavras, se Bolsonaro cumprir a promessa feita aos líderes mundiais, ele apenas irá desfazer o efeito da própria decisão (Foto: AP Foto/Eraldo Peres, archivo)
  • O presidente Jair Bolsonaro prometeu dobrar o orçamento para fiscalização ambiental este ano

  • Acontece que, se comparado com os valores do ano passado, o mesmo orçamento foi cortado pela metade por ele mesmo

  • Em outras palavras, se Bolsonaro cumprir a promessa feita aos líderes mundiais, ele apenas irá desfazer o efeito da própria decisão

Nesta quinta-feira (22), durante a Cúpula dos Líderes do Clima, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu dobrar o orçamento para fiscalização ambiental este ano

Acontece que, se comparado com os valores do ano passado, o mesmo orçamento foi cortado pela metade por ele mesmo. Em outras palavras, se Bolsonaro cumprir a promessa feita aos líderes mundiais, ele apenas irá desfazer o efeito da própria decisão.

Leia também

Segundo o site Siga Brasil, ferramenta de análise do orçamento federal, o orçamento autorizado na LOA (Lei Orçamentária Anual) para controle e fiscalização ambiental este ano é de R$ 65,6 milhões. 

Os valores para este ano são menores do que a metade do ano passado, que ficou em R$ 136,5 milhões. Bolsonaro ainda não sancionou o Orçamento de 2021 e, por este motivo, poderá aumentar as cifras e cumprir a promessa de dobrar o número.

Mesmo com uma possível mudança no investimento para fiscalizar crimes ambientais, os valores seriam muito menores em comparação com o orçamento do ano de 2019. De acordo com o jornal O Globo, naquele ano, o orçamento autorizado foi de R$ 419 milhões. 

A Lei Orçamentária Anual é uma lei elaborada que estabelece as despesas e as receitas que serão realizadas no próximo ano. Veja os orçamentos autorizados para o controle ambiental dos últimos três anos:

  • 2019: R$ 419,99 milhões;

  • 2020: R$ 136,3 milhões;

  • 2021: R$ 65,6 milhões (número pode dobrar na sanção do orçamento).

Eliminar o desmatamento ilegal até 2030

Bolsonaro destacou o compromisso do Brasil em eliminar o desmatamento ilegal até 2030, durante discurso na Cúpula do Clima nesta quinta-feira (22).

"Entre as medidas necessárias para tanto, destaco o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena aplicação do nosso código florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data. Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta", disse.

A deforested section of Amazon rainforest is seen near Monte Dourado City
Segundo o site Siga Brasil, ferramenta de análise do orçamento federal, o orçamento autorizado na LOA (Lei Orçamentária Anual) para controle e fiscalização ambiental este ano é de R$ 65,6 milhões (Foto: Via Getty Images)

Cobrado internacionalmente pelo desmonte dos órgãos de fiscalização ambientais, o presidente afirmou, em seu discurso, que determinou o "fortalecimento dos órgãos ambientais" e pediu "contribuição de países, empresas e entidades" para o desenvolvimento da Amazônia.

"Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização. Mas, é preciso fazer mais. Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse paradoxo amazônico é condição essencial para o desenvolvimento sustentável da região", afirmou.

Abertura da Cúpula do Clima

O evento foi aberto pela vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e o presidente, Joe Biden, falou em seguida. Os dois ressaltaram a importância da união mundial no combate ao impacto climático. Biden ainda ressaltou a relevância criar empregos e desenvolver tecnologias na batalha contra o aquecimento global.

"Eu espero ansiosamente pelo progresso que podemos fazer juntos hoje e daqui em diante. Nós realmente não temos escolha, temos que fazer isso", disse Biden ao finalizar o discurso de abertura da Cúpula do Clima.

Antes de Bolsonaro, também falaram o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, além de outros líderes mundiais, como Angela Merkel (Alemanha) e Emmanuel Macron (França).