Bolsonaro cobra “filtro ideológico” de candidatos do PSL

Mudança seria uma condição para Bolsonaro ficar no partido até 2022 - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Expulsão de Alexandre Frota foi vista como purificação do partido

  • Filiados terão as redes sociais analisadas

Nas próximas eleições, o PSL vai adotar uma espécie de “filtro ideológico” para evitar que nomes contrários às decisões de Jair Bolsonaro sejam candidatos pela sigla. A mudança de conduta vem após a expulsão do deputado Alexandre Frota na última terça-feira (13) por desalinhamento partidário.

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Os membros do partido terão as redes sociais e o passado político analisados para garantir que defendem o bolsonarismo, a reforma do Estado e o conservadorismo nos costumes. Também precisam condenar o aborto e o que Bolsonaro chama de “ideologia de gênero”.

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Ainda não se definiu quem será responsável pela seleção dos membros que poderão se candidatar pelo PSL. Enquanto um grupo defende a criação de um conselho com integrantes do próprio partido, outro sugere contratar uma consultoria externa especializada em compliance – uma série de regras adotadas por empresas para garantir que seus funcionários sigam os códigos internos.

Além de escolher de forma mais criteriosa os novos filiados, o PSL também passará a “enquadrar” os membros que não defenderem o bolsonarismo. A cobrança veio diretamente de Jair Bolsonaro em uma reunião com o presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar (PE), no início do mês. Foi depois do encontro que Bivar iniciou o processo interno de expulsão de Frota, que afirmou que Bolsonaro é sua “maior decepção”.

A mudança seria uma condição para Bolsonaro ficar no partido até 2022. Antes da filiação do capitão da reserva, o PSL era considerado nanico: elegeu apenas um deputado em 2014. Em 2018, foram 54.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) defende a reivindicação do presidente da República: “É uma medida para dar uma cara de novo ao PSL. A gente tem de saber quem está vindo se candidatar pelo partido. Temos de saber se ele é ficha-limpa, qual o passado político dele. Se não, daqui a pouco, vamos ver um esquerdista querendo se lançar só porque o partido cresceu e virou viável”, afirmou ao Estadão.