De Queiroz a Bolsonaro: os valores familiares são em cheque ou dinheiro vivo?

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  • Jair Bolsonaro
    38.º presidente do Brasil
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    Político brasileiro, Senador da República pelo Estado do Rio de Janeiro
Brazilian President Jair Bolsonaro and his son and Senator Flavio Bolsonaro (L) attend a ceremony to celebrate the 130th anniversary of the Military School in Rio de Janeiro, Brazil May 6, 2019. REUTERS/Ricardo Moraes
O presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o investigado senador Flavio Bolsonaro. Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Em um ponto ninguém pode acusar Jair Bolsonaro de estelionato.

Em 2018, o então candidato a presidente dizia em um debate promovido por uma emissora hoje aliada que o Brasil precisava de um líder que valorizasse a família.

A postura rendeu a ele um editorial elogioso, no site da mesma emissora, com o título “Os valores da família empurram a candidatura de Bolsonaro”. A emissora foi recompensada nos dois primeiros anos de governo, com aumento de 31% para 43% da fatia do bolo das campanhas da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas esta é outra história. Ou não.

De fato, os valores familiares conduziram e têm conduzido o presidente antes e depois de chegar à Presidência.

Exemplo disso foi o esforço para proteger os filhos de eventuais problemas com a polícia. Nem que para isso tivesse de presenteá-los com um novo delegado antes do Natal.

“Pretendo beneficiar um filho meu, sim”, disse Bolsonaro em 2019, ao defender a ida de um dos filhos para a Embaixada dos EUA. “Pretendo, está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou.”

Bolsonaro deu muito mais do que filé mignon.

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Antes de ser presidente, ele já era um pai e marido generoso. Foi durante o casamento com o ex-capitão que Rogéria Bolsonaro, mãe de três dos seus filhos, comprou um imóvel com dinheiro vivo quando era vereadora no Rio. Em 1996, segundo o Ministério Público, ela pagou em espécie R$ 95 mil (R$ 620 mil, em valores atualizados) por um apartamento em Vila Isabel.

Também em espécie, seu primogênito comprou, com sua mulher, dois imóveis em Copacabana em 2012 do mesmo vendedor. Parte do pagamento, suspeita o MP-RJ, foi feito em dinheiro.

Casais inteligentes enriquecem juntos, diz o best-seller.

Para ficar de pé, tantos valores familiares contam com pequenas ajudas dos amigos de fé e irmãos camaradas. No caso da família Bolsonaro, era Fabrício Queiróz quem espalhava esses valores em espécie ou cheques, como os que caíram patrioticamente nas contas da hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro, totalizando R$ 89 mil.

Queiroz era também um homem de família.

Nesta quinta-feira 13, a Folha de S.Paulo revelou que sua filha, Nathália Queiroz, repassou a maior parte de seu salário ao pai quando esteve empregada no gabinete na Câmara do então deputado Jair Bolsonaro.

O caso intriga os investigadores e também a comunidade científica. Embora trabalhasse como personal trainer no Rio, ela batia ponto em dias úteis em Brasília, a 1.662 quilômetros dali, entre 2017 e 2018. No período, ela transferiu cerca de R$ 150 mil ao PM aposentado e ex-faz tudo dos Bolsonaro.

Nathália fez o mesmo quando trabalhava na Assembleia Legislativa do Rio, onde Flávio Bolsonaro era deputado, de 2007 a 2016.

A trama daria outro best seller: “Famílias inteligentes enriquecem juntos”.

Em campanha, Bolsonaro prometeu ser um defensor incansável dos valores familiares. E ele defendeu. A dele. E dos amigos.

Faltou explicar que esses valores poderiam ser enquadrados um dia como “rachadinha”.

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