Bolsonaro questiona reforço de dose de vacinas e cita "interesse comercial"

Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto em 27 de setembro de 2021 (Foto:Andressa Anholete/Getty Images)
Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto em 27 de setembro de 2021 (Foto:Andressa Anholete/Getty Images)

Resumo da Notícia:

  • Em live, presidente questiona terceira dose de vacinas: 'Interesse comercial'

  • "Ficam o tempo todo tentando criminalizar as pessoas que defendem o tratamento inicial", reclamou Bolsonaro

  • No fim, o presidente atacou o chamado passaporte da vacina, que exige a imunização para acessos a determinados lugares

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a questionar as vacinas nesta quinta-feira (30), em sua live semanal, e indicou que os reforços de dose podem estar ligados a "interesse comercial". Ele também repetiu sua defesa habitual de medicamentos sem eficácia contra a covid-19.

Durante a transmissão, Bolsonaro criticou a CPI da Pandemia e falou que o desempenho dos senadores oposicionistas ao interrogar Luciano Hang, empresário que apoia o presidente, na quarta-feira (29), foi "um fiasco". "Ficam o tempo todo tentando criminalizar as pessoas que defendem o tratamento inicial", reclamou Bolsonaro.

Leia também:

O presidente, na sequência, cobrou que a imprensa perguntasse ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se ele fez o "tratamento inicial" – como Bolsonaro se refere ao uso de medicamentos sem eficácia contra a covid, como hidroxicloroquina e ivermectina. "Perguntem se ele fez tratamento inicial nos Estados Unidos ou se ficou no hotel, e depois na Embaixada, tomando paracetamol. Ou se ficou rezando", ironizou.

Bolsonaro atacou novamente seu ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, dizendo que o "protocolo Mandetta" orientava a pessoa a buscar tratamento médico apenas quando estava sentindo falta de ar – uma acusação que o presidente faz frequentemente sobre o seu ex-ministro, agora rival político.

"Uma pessoa acometida de uma doença esperar uma fase pra esperar ser internado e intubado. Parece que esse protocolo era para obrigar a comprar respiradores a qualquer preço", disse Bolsonaro, que também repetiu seus ataques costumeiros a governadores.

"A Controladoria-Geral da União fez um relatório e concluiu que o Ceará foi o estado que mais desviou recursos da covid-19. Será que tudo não fazia parte de um plano? Só que encontraram um presidente da República diferente dos outros, que não se intimidou, não se acovardou."

Bolsonaro, na sequência, disse que não é negacionista e que "não errou nenhuma", elogicando novamente o "tratamento inicial". Depois, sem citar a fonte da informação, citou uma "matéria" dizendo que a vacina não era recomendada para quem já foi infectado pelo coronavírus.

"Porque quem já contraiu o vírus tem mais anticorpo do que qualquer pessoa que tenha tomado qualquer vacina", concluiu o presidente, novamente citando uma tese que não tem respaldo científico.

"Por que essa pressão por vacina? Será interesse comercial?", questionou Bolsonaro, antes de ler o título de uma reportagem da revista Veja que diz que o reforço da vacina pode render bilhões de dólares às farmacêuticas responsáveis pelos imunizantes.

"Ora, não é suficiente uma ou duas doses? As empresas não diziam que era assim? Então a terceira dose tem que ser de graça. Não é direito do consumidor?", reclamou.

"A grande mídia leva que o presidente é negacionista. Eu não vou me render a ninguém, não vou fazer politica, não vou brincar com a vida dos outros. O que tá em jogo é a vida de vocês", disse.

Bolsonaro ainda disse que tem conversado "reservadamente' com médicos que apoiam o tratamento inicial e não o defendem publicamente por medo de perseguição. Depois, o presidente afirmou que seria mais "cômodo" se ele ficasse do lado do "politicamente correto".

No fim, o presidente atacou o chamado passaporte da vacina, que exige a imunização para acessos a determinados lugares.

"Ou temos liberdade ou não temos. A história diz que todo aquele que abre mão de uma parte de liberdade por segurança acaba ficando sem liberdade e sem segurança. Se for aceitar esse passaporte da vacinação, daqui a pouco vem outra exigência. Sabe onde vai parar isso aí? Controle da população", acusou. "As pessoas que mais me acusavam de ser ditador é que estão fazendo isso agora."