Bolsonaro questiona Telegram sobre reunião de aplicativo com TSE

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu nesta terça-feira (7) com o vice-presidente do Telegram, Ilya Perekopsky, e quis saber dele o que foi tratado num encontro do executivo na véspera com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A reunião ocorreu no Palácio do Planalto, fora da agenda, e também contou com a presença de Alan Thomaz, sócio da Campos Thomaz Advogados, que é o representante legal do Telegram no Brasil.

"Ótima conversa sobre a sagrada liberdade de expressão, democracia e cumprimento da Constituição", disse Bolsonaro em rede social.

O aplicativo, amplamente utilizado por bolsonaristas, já esteve na mira da Justiça Eleitoral e esteve sob risco de ser banido do país por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Hoje, tem parceria firmada com o TSE.

Não é a primeira vez que Bolsonaro se reúne com representante de aplicativos de mensagens. No final de abril, ele teve encontro com dirigentes do WhatsApp.

Perekopsky esteve na segunda (6) no TSE, onde teve reunião com o presidente da corte, Edson Fachin.

A reportagem apurou que, no encontro no Planalto, Bolsonaro questionou os representantes do Telegram sobre o que foi tratado com Fachin na véspera.

O dirigente, segundo relatos, se limitou a dizer que dados do aplicativo são protegidos e que respeita as leis do país. Os representantes da plataforma também disseram, segundo relatos, que não atuam em países onde a privacidade dos usuários não é respeitada.

O TSE divulgou nota após a reunião com o Telegram, em que a empresa anunciou medidas de monitoramento de conteúdos publicados em grupos da plataforma.

"É a primeira vez que a plataforma faz esse acompanhamento e, a partir da experiência brasileira, a ferramenta será replicada para outros países que também enfrentam ameaças à democracia por meio da disseminação de conteúdo falso", disse a corte em nota.

Mensagens identificadas como descontextualizadas ou falsas serão marcadas como potencial desinformação para os usuários, ainda segundo o tribunal.

Esses conteúdos serão encaminhados a canais de agências de checagens de fatos dentro do Telegram. Os usuários da rede também podem denunciar as mensagens.

O aplicativo já esteve na mira da Justiça Eleitoral por ignorar tentativas de contato do TSE e por ter uma estrutura mais propícia à viralização de conteúdos falsos.

A plataforma, contudo, assinou uma parceira com o tribunal em maio, com compromisso de enfrentar a desinformação.

Como parte dos compromissos, a empresa criou um canal oficial do TSE dentro da plataforma de mensagens para divulgar informações oficiais sobre as eleições. O canal tem mais de 184 mil membros.

O presidente Bolsonaro chegou a classificar como "covardia" o cerco da Justiça ao aplicativo, ainda em janeiro.

Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, um apoiador o questionou: "E o Telegram?". Bolsonaro respondeu na ocasião, sem entrar em detalhes: "É uma covardia o que estão querendo fazer com o Brasil".

Em março, o ministro Moraes acolheu pedido da Polícia Federal e determinou que as plataformas e provedores de internet bloqueassem o funcionamento do Telegram em todo o Brasil.

Para conseguir o desbloqueio, a empresa assumiu compromissos com o STF, envolvendo moderação e combate à desinformação e aderiu ao programa de enfrentamento à desinformação nas eleições da corte eleitoral.

Dias depois, o Telegram também aderiu ao programa de enfrentamento à desinformação nas eleições do TSE. Até então, a empresa vinha ignorando as tentativas de contato da Justiça Eleitoral.

As redes sociais representam uma forte aposta do Palácio do Planalto na reeleição do presidente, uma vez que são a principal forma de comunicação do mandatário.

Bolsonaro tem desacreditado o sistema eleitoral e dito que ministros do TSE querem limitar a atuação das plataformas digitais e de seus apoiadores.

Da mesma forma com que se reuniu com o Telegram nesta terça-feira, Bolsonaro já esteve com representantes do WhatsApp.

Na ocasião, ele tentou pressionar os dirigentes para garantir que o aplicativo lançasse ferramenta "comunidades", que permite grupos com milhares de pessoas antes das eleições.

O WhatsApp já havia anunciado que só adotaria a mudança após o pleito.

Bolsonaro, que pediu o encontro com o aplicativo de mensagens, disse na ocasião que o acordo entre o WhatsApp e o TSE era "inadmissível e aceitável".

A adoção da nova ferramenta não ocorreu, contudo, a pedido da Corte Eleitoral. Mas foi comunicada a ela em reunião do WhatsApp com o ministro do TSE Luís Roberto Barroso.

O presidente insistiu para que a estreia da ferramenta fosse antecipada, mas, segundo interlocutores, concordou, ao final, com os argumentos dos representantes da empresa.

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