Bolsonaro radicaliza discurso contra PT após novo caso de violência política

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 07.09.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 07.09.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Em meio à escalada da violência política do país, com a morte de um apoiador do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por um bolsonarista, o presidente Jair Bolsonaro (PL) radicalizou o discurso contra o PT e disse que varrerá partido para o lixo da história.

Em ato político na tarde desta sexta-feira (9) em Araguatins, cidade do norte do Tocantins, o presidente destacou a redução dos preços dos combustíveis e afirmou que os senadores da bancada do PT votaram contra a redução da alíquota do ICMS pelos estados.

"Essa praga sempre está contra a população. Esse pessoal não produz nada, só gera desgraça para o povo brasileiro. Com essa nossa reeleição, [...] varreremos para o lixo da história esse partido dito dos trabalhadores, mas na verdade é composto por desocupados", afirmou.

O presidente voltou a tratar a disputa eleitoral como uma luta "do bem contra o mal" e colocou a pauta de costumes no centro do seu discurso, com acusações aos adversários.

"Não podemos errar, sabemos que é uma luta do bem contra o mal. O lado de lá quer o comunismo, quer desarmar o povo de bem do Brasil, quer a ideologia de gênero, quer liberar as drogas, quer legalizar o aborto e não respeita a propriedade privada, tampouco a nossa família", afirmou.

No restante do discurso, o presidente falou da pauta econômica, citando a redução do preço dos combustíveis, o reajuste do valor do Auxílio Brasil. Também voltou a repetir que não houve corrupção em seu governo, a despeito das investigações em curso envolvendo seus familiares e ex-ministros.

Em nenhum momento, o presidente fez referência ao tema da violência política nem comentou sobre o assassinato de um apoiador de Lula em Confresa (a 1.160 km de Cuiabá).

Autor do crime, Rafael de Oliveira, 24, passou por audiência de custódia, e a Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva. Ele confessou, segundo a polícia, ter matado a facadas o colega de trabalho Benedito Cardoso dos Santos, 44, depois de uma discussão política. De acordo com a polícia, o autor tentou decapitar a vítima e, após o crime, ainda filmou o corpo.

Nesta sexta-feira, o ex-presidente Lula usou termos como intolerância, ódio e selvageria ao se referir ao assassinato do apoiador.

Bolsonaro desembarcou por volta das 11h em Imperatriz, no sul do Maranhão, onde foi recepcionado por apoiadores. Participou de uma motociata que teve como destino final a cidade de Araguatins, que fica do outro lado da divisa estadual, no norte Tocantins.

O presidente foi acompanhado pelo senador Eduardo Gomes (PL) e pelo candidato a governador do Tocantins Ronaldo Dimas (PL).