Bolsonaro reage a críticas sobre mulheres e fala em uso de 'condição biológica como escudo'

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.08.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa da abertura de exposição alusiva ao bicentenário da Independência do Brasil, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.08.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa da abertura de exposição alusiva ao bicentenário da Independência do Brasil, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta sexta-feira (2) que quem provoca deve estar pronto para ser provocado e que há oportunismo quando "se usa da condição biológica como escudo".

A declaração no Twitter não cita nenhum caso específico, mas ocorre na esteira de críticas à sua ofensa à apresentadora de TV Gabriela Prioli.

"Quando se usa da condição biológica como escudo para ser desrespeitoso e se blindar de resposta à altura, a igualdade dá lugar ao oportunismo", disse o presidente. "É simples: Quer provocar? Esteja pronto para ser provocado. Está num momento frágil e isso lhe afeta? Respeite e será respeitado."

Por fim, disse que as pessoas devem ser valorizadas pelo seu "caráter" e ironizou ao comparar Anitta, apoiadora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e alvo frequente do bolsonarismo, com a princesa Isabel, conhecida por assinar a Lei Áurea.

O presidente também publicou imagem de uma notícia de que Gabriela Prioli não quer Bolsonaro em seu programa na CNN e escreveu: "Tabajara Futebol Clube diz por que não quer Neymar em seu time".

A apresentadora, que está grávida de seis meses, respondeu a Bolsonaro nesta sexta, em vídeo e em tuítes, e disse que, com a publicação do presidente, recebeu ameaças.

"Recebi centenas de ofensas e ameaças o que, ao contrário de me intimidar, reforçam a minha convicção de que você faz parte da escória da humanidade e deve ser varrido de volta pro lugar de onde nunca deveria ter saído", escreveu. "O ódio de Bolsonaro às mulheres é tão forte que, mesmo precisando conquistar o eleitorado feminino, ele não consegue se controlar".

Pesquisa do Datafolha mostra que, apesar dos esforços da campanha de investir nesta parcela do eleitorado, Bolsonaro tem 29% das intenções de voto das mulheres, contra 48% do ex-presidente Lula.

O ataque de Bolsonaro a Prioli levou Lula e Simone Tebet (MDB) a prestarem solidariedade nas redes sociais.

No debate entre presidenciáveis no último domingo (28), Bolsonaro também ofendeu a jornalista Vera Magalhães. O presidente disse que ela deveria dormir pensando nele e que teria uma paixão por ele, em episódio visto como o ponto baixo do debate para mandatário, tanto por aliados quanto por adversários.

"Eu não ofendi a Vera Magalhães, só que ela bate em mim o tempo inteiro. Eu falei que ela sonha comigo, nada mais além disso", disse durante a semana.

O presidente coleciona declarações machistas desde quando era deputado federal. Em 2018, chamou sua única filha de "fraquejada". Nesta semana, disse que notícia boa para mulher era rosa e presente.