Bolsonaro rebate arcebispo de Aparecida e volta a defender armamento da população

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SÃO PAULO — O presidente Jair Bolsonaro rebateu, na manhã desta quarta-feira, a crítica feita pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, ao armamento civil defendido pelo governo federal. Em visita a Miracatu (SP), segundo o G1, Bolsonaro disse que respeitava a opinião do religioso, mas que antes "somente os marginais, os bandidos é que tinham arma de fogo" no Brasil.

Bolsonaro, no entanto, negou que Brandes tenha criticado a pauta do armamento da população.

— Ele não falou, ele é uma pessoa educada. Não íamos discutir abertamente isso aí, até porque eu não tinha microfone, não tinha como discutir, era apenas ele nesse assunto. Respeitio os bisos e respeito a todos que tenham a posição diferente da minha — afirmou o presidente.

Em comemoração à data da padroeira do Brasil, o arcebipo rezou a principal missa do dia no Santuário Nacional de Aparecida, cidade a 176 quilômetros de São Paulo. Na homilia da missa das 9h, Brandes declarou que "para ser pátria amada não pode ser pátria armada" nem com "mentiras e fake news".

— Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira — afirmou o religioso durante o sermão.

Questionado por jornalistas se o sermão era um recado para Bolsonaro, que defende o armamento da população, Brandes disse que o sermão era uma mensagem "para todos os brasileiros".

Bolsonaro viajou a Miracatu, no Vale do Ribeira, região mais pobre do estado de São Paulo, para a uma cerimônia de entrega de títulos de propriedade rural. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, e o presidente do Incra, Geraldo Melo Filho, estiveram presentes.

Em discurso no evento, o presidente também afirmou que o ex-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) André Mendonça será "brevemente" o mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o jornal "Valor Econômico". Assim como Bolsonaro, Mendonça também cresceu no Vale do Ribeira.

— Se Eldorado tem um presidente, se Deus quiser, brevemente, Miracatu terá um ministro do Supremo Tribunal Federal. À família de Miracatu, à família de André Mendonça, meus cumprimentos por esse homem extremamente competente, capaz e inteligente. E dentro do meu compromisso, um evangélico para o STF — declarou.

Indicado à Suprema Corte, Mendonça espera por sua sabatina no Senado há três meses. O evento depende do agendamento por parte do senador Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

Vacinação

Mais cedo, Bolsonaro afirmou, em entrevista à rádio "JovemPan", que não vai se vacinar contra a Covid-19. Anteriormente, ele havia dito que seria o último brasileiro a se imunizar.

— No tocante à vacina, eu decidi não tomar mais a vacina. Eu estou vendo novos estudos, eu estou com a minha imunização lá em cima. Para que vou tomar a vacina? Seria a mesma coisa de jogar na loteria R$ 10 para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso daí — disse.

A vacinação é a principal solução contra a pandemia de coronavírus pela qual o planeta passa desde março de 2020 e é recomendada por cientistas do mundo inteiro. O Brasil tem colhido frutos da vacinação avançada. No fim de setembro, por exemplo, 94% dos hospitalizados por Covid-19 no Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, não tinham tomado nenhuma dose da vacina. Com metade da população vacinada, a cidade tinha na semana passada o menor número de internados em 15 meses.

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