Bolsonaro reclama da oposição, mas diz que governo segue trabalhando por PEC dos Precatórios

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Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro reclamou nesta quinta-feira dos deputados da oposição que votaram contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, mas disse que o governo seguirá trabalhando para aprovar o texto em segundo turno na Câmara e também no Senado.

"Ontem mais de 100 deputados votaram contra os pobres, por birra por ser eu o presidente. Não querem atender os pobres, nunca vi isso. Partido de esquerda é comum votar contra a gente, mas votar nessa questão também é uma maldade muito grande", disse o presidente em uma rápida entrevista depois de sair da cerimônia de início do leilão do 5G.

"Espero que passe no segundo turno aqui na Câmara, espero, e depois passe no Senado. Vamos trabalhar por isso", acrescentou.

O governo conseguiu aprovar a PEC em primeiro turno na Câmara nesta madrugada, mas com uma margem bastante apertada: 312 votos favoráveis, quando o mínimo necessário para aprovação de uma PEC é de 308.

Boa parte da oposição votou contra o projeto, considerado eleitoreiro por garantir um aumento para o Auxílio Brasil --programa que substitui o Bolsa Família-- apenas até dezembro de 2022, depois das eleições presidenciais, e reservar uma parte significativa da folga no teto de gastos para emendas parlamentares.

No entanto, o governo teve ajuda da maioria dos deputados do PDT, o que levou Ciro Gomes, pré-candidato do partido à Presidência, a suspender sua candidatura até a votação do segundo turno, quando espera que os membros do partido voltem atrás.

No PSB, apesar da orientação da liderança para que votassem contra, 10 de 32 deputados também votaram pela aprovação.

Bolsonaro disse ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) "colocou no colo dele", de uma vez só, o pagamento de precatórios de vários anos, e tornou a dívida para 2022, de 90 bilhões de reais, impagável.

"Estamos tentando então com o Parlamento --alguns do Supremo estão tentando ajudar também-– parcelar essa dívida enorme, pagar uns 30 bi ano que vem e parcelar mais de 60 bi para o futuro. Se não, não temos como pagar", disse. "O teto está aí, não queremos sair do teto. Mas, por outro lado, temos a questão do Bolsa Família, 17 milhões de famílias que vão passar mais necessidade ainda e devemos atendê-los. É muita responsabilidade."

A votação do segundo turno da PEC na Câmara foi marcada para a próxima terça-feira. A intenção do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), era concluí-la nesta quinta, mas ele não conseguiu reunir quórum suficiente para garantir a aprovação.

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