Bolsonaro reclama de toque de recolher no DF e diz que Doria faz 'destruição' de empregos

Daniel Gullino
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BRASÍLIA — Em mais um discurso contra medidas de distanciamento social, tomadas para diminuir o contágio do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro criticou o toque de recolher em vigor no Distrito Federal, comparando-o a um "estado de sítio", e afirmou que o governador de São Paulo realiza "destruição" de empregos.

As medidas para diminuir a circulação de pessoas estão sendo tomadas na maioria dos estados para frear a pandemia de Covid-19, enquanto o país bate recordes sucessivos de óbitos causados pela doença.

Bolsonaro afirmou que o país está há praticamente um ano em um "lockdown" — o termo, no entanto, refere-se a medidas muito mais restritivas, que não foram implementadas no Brasil em nenhum momento. O presidente reclamou também da suspensão de jogos de futebol. Nesta quinta-feira, o Campeonato Paulista foi interrompido por 15 dias.

— Agora, ficamos praticamente um ano em lockdown. E começamos esse ano, como estamos vendo em alguns estados do Brasil, novas medidas seriamente restritivas. Até para cancelar o futebol — disse Bolsonaro, durante reunião virtual da frente parlamentar da Micro e Pequena Empresa.

Em seguida, criticou o toque de recolher que está sendo feito no DF desde, que proíbe a circulação de pessoas entre 22h entre 5h, e disse que uma medida como essa só poderia ser tomada em um estado de sítio. A decretação do estado de sítio depende de uma solicitação do presidente e da aprovação do Congresso.

— Até quando nós vamos resistir a isso daí? Aqui no DF, toma-se medida, por decreto, de estado de sítio. De 22h às 6h (5h), ninguém pode andar. Só eu poderia tomar uma medida dessas, e assim mesmo, ouvindo o Congresso Nacional. Então, na verdade, uma medida extrema dessa só o presidente da República e o Congresso Nacional poderiam tomá-la. E nós vamos deixando isso acontecer?

Bolsonaro vê o risco do toque de recolher ser cada vez mais ampliado até que as pessoas só tenham "meia-hora para sair na rua":

— Quando eu vejo essa medida adotada em Brasília, eu lembro de uma história semelhante. Aumentou-se em 1.000% o preço da banana. Aí o cara fala: “Não tenho nada a ver com isso. Não gosto de bananas”. Amanhã outras coisas aumentam. Hoje, é de 22h às 5h. Daqui a pouco ele bota de 20h às 6h. Depois bota, de 18h às 8h. Daqui a pouco a gente vai ter meia-hora para sair na rua. E nós continuamos ficando quietos.

Em outro momento da reunião, o presidente afirmou que o governo federal trabalha para preservar empregos, enquanto alguns governadores, como João Doria, realizam uma "destruição". Nesta quinta, Doria anunciou novas restrições em São Paulo.

— Nós aqui buscamos salvar empregos, na ponta da linha, um ou outro, como o de São Paulo, por exemplo, vai para destruição.