Bolsonaro reclama de toque de recolher no DF e diz que Doria faz 'destruição' de empregos

Daniel Gullino e Julia Lindner
·3 minuto de leitura

Em mais um discurso contra medidas de distanciamento social, tomadas para diminuir o contágio do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro criticou o toque de recolher em vigor no Distrito Federal, comparando-o a um "estado de sítio", e afirmou que o governador de São Paulo realiza "destruição" de empregos.

As medidas para diminuir a circulação de pessoas estão sendo tomadas na maioria dos estados para frear a pandemia de Covid-19, porque o país bate recordes sucessivos de óbitos causados pela doença.

Bolsonaro afirmou que o país está há praticamente um ano em um "lockdown" — o termo, no entanto, refere-se a medidas muito mais restritivas, que não foram implementadas no Brasil em nenhum momento. O presidente reclamou também da suspensão de jogos de futebol. Nesta quinta-feira, o Campeonato Paulista foi interrompido por 15 dias.

— Agora, ficamos praticamente um ano em lockdown. E começamos esse ano, como estamos vendo em alguns estados do Brasil, novas medidas seriamente restritivas. Até para cancelar o futebol — disse Bolsonaro, durante reunião virtual da frente parlamentar da Micro e Pequena Empresa.

Em seguida, criticou o toque de recolher que está sendo feito no DF desde, que proíbe a circulação de pessoas entre 22h entre 5h, e disse que uma medida como essa só poderia ser tomada em um estado de sítio. A decretação do estado de sítio depende de uma solicitação do presidente e da aprovação do Congresso.

— Até quando nós vamos resistir a isso daí? Aqui no DF, toma-se medida, por decreto, de estado de sítio. De 22h às 6h (5h), ninguém pode andar. Só eu poderia tomar uma medida dessas, e assim mesmo, ouvindo o Congresso Nacional. Então, na verdade, uma medida extrema dessa só o presidente da República e o Congresso Nacional poderiam tomá-la. E nós vamos deixando isso acontecer?

Bolsonaro vê o risco do toque de recolher ser cada vez mais ampliado até que as pessoas só tenham "meia-hora para sair na rua":

— Quando eu vejo essa medida adotada em Brasília, eu lembro de uma história semelhante. Aumentou-se em 1.000% o preço da banana. Aí o cara fala: “Não tenho nada a ver com isso. Não gosto de bananas”. Amanhã outras coisas aumentam. Hoje, é de 22h às 5h. Daqui a pouco ele bota de 20h às 6h. Depois bota, de 18h às 8h. Daqui a pouco a gente vai ter meia-hora para sair na rua. E nós continuamos ficando quietos.

Em outro momento da reunião, o presidente afirmou que o governo federal trabalha para preservar empregos, enquanto alguns governadores, como João Doria, realizam uma "destruição". Nesta quinta, Doria anunciou novas restrições em São Paulo.

— Nós aqui buscamos salvar empregos, na ponta da linha, um ou outro (governador), como o de São Paulo, por exemplo, vai para destruição.

Em meio à falta de leitos em todo o país, Bolsonaro reclamou que "tem hospital que só está pronto para receber coronavírus" e que "não existe" mais outras doenças:

— Emprego também é vida. Lamento os números de mortes. Queria que não tivesse nenhuma morte. Outros problemas vêm junto com isso. Tem hospital que só está pronto para receber coronavírus. Não existe mais câncer no Brasil. Não existe mais problemas de coração. Não existe mais nada, é só isso. Uma política barata, por parte de alguns, buscando o poder.

O presidente ainda reclamou da possibilidade de um colapso da economia:

— Até quando nossa economia vai resistir? Que se colapsar, vai ser uma desgraça. O que poderemos ter brevemente? Invasão ao supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar?