Bolsonaro reconhece que ato com motociclistas no RJ foi em seu apoio, mas questiona: "Alguma coisa política nisso?"

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No mesmo dia em que o Exército brasileiro informou que Eduardo Pazuello não seria punido por sua participação em um ato com Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro, o presidente da República, reconheceu em sua live nesta quinta-feira (3) que o encontro em questão, junto com motociclistas, ocorreu em seu apoio.

Na sequência, ele mesmo questionou: "alguma coisa política nisso?"

O processo disciplinar no Exército sobre o general e ex-ministro da Saúde tratava justamente da proibição de militares da ativa, como Pazuello, de participarem de manifestações políticas, como prevê o regime disciplinar da instituição.

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Pazuello argumentou que o ato não se tratava de uma manifestação política, e o general Paulo Sérgio Nogueira, comandante do Exército brasileiro, aceitou a justificativa.

O passeio com motociclistas no Rio de Janeiro, no último dia 23 de maio, reuniu milhares de pessoas favoráveis ao presidente. Bolsonaro fez discurso agradecendo aos participantes e fez até referências a opositores, como Fernando Haddad (PT), seu principal rival na eleição presidencial de 2018.

Na live de hoje, Bolsonaro admitiu que a live era em seu apoio, mas tentou sustentar que não se tratava de um ato político. Ao mesmo tempo, anunciou que participará de um novo encontro com motociclistas no dia 12, em São Paulo.

"No Rio de Janeiro, foi o primeiro encontro de motociclistas com o presidente Jair Bolsonaro. Pela liberdade e em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Alguma coisa política nisso?", questionou, ironizando, na sequência, ativistas de esquerda. "Tinha alguma bandeira vermelha lá? Acho que ninguém tem coragem de levantar uma bandeira vermelha no meio daquele povo. Tinha bandeira de partido político? Nada."

Em seguida, ele ressaltou que foi um encontro de motociclistas e citou o ato programado na capital paulista, dizendo que "pretende comparecer". Depois, afirmou ter recebido convites para participar de outros passeios motociclísticos em cidades como Chapecó (SC) e Porto Alegre (RS).

"É uma confraternização, os motociclistas vibrando, e eu vibrando também, porque é sensacional. Milhares de motos ao seu lado passeando, sentindo o vento na cara, sentindo a liberdade", disse o presidente.

Punições no Exército

Antes de mencionar o passeio, Bolsonaro falou genericamente sobre o processo de punição nas Forças Armadas, sem citar Pazuello diretamente. O presidente mencionou as investigações que ele próprio enfrentou quando era militar da ativa, pouco antes de ir para a reserva ao se tornar vereador no Rio de Janeiro, em 1988.

"Já fui punido pelo Exército brasileiro, com 15 dias de cadeia", disse Bolsonaro, reconhecendo que escreveu um texto na revista Veja, em 1986, no qual reclamava dos salários dos militares.

Ele também citou a segunda investigação pela qual passou no Exército - Bolsonaro foi julgado pelo Supremo Tribunal Militar, e absolvido por 8 votos a 4, sob a acusação de ter elaborado um plano para explodir bombas em unidades militares no Rio de Janeiro, em 1987 – a história também foi revelada na revista Veja.

"Na segunda vez, eu não tinha culpa, e foi arquivado. Na primeira, eu tinha culpa e fui punido. Assim acontece, para aquele que vai nos julgar. Que julgue com isenção, sem pressão de mídia ou seja lá quem for", disse Bolsonaro, na live. "Tem juiz que julga de forma tendenciosa para não se queimar", reclamou.

Ataques à CPI

Como tem feito de forma recorrente nas lives de quinta-feira, Bolsonaro atacou senadores integrantes da CPI da Pandemia, como Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) – respectivamente, presidente e relator da comissão.

"A CPI tinha uma chance ímpar de discutir tratamento imediato, ou como os países do mundo estão lidando com a covid. Ela podia dizer se tem algum país no mundo que ninguém morreu... a CPI podia falar do lockdown da Argentina, onde mais se morre por milhão de habitante", reclamou o presidente.

"O Renan Calheiros, recordista em inquéritos no Supremo [Tribunal Federal], Omar Aziz, que conhece tudo de saúde no seu estado. É acusado de um montão de coisa no seu estado", atacou o presidente. "Eles e aquela pessoa do Amapá [senador Randolfe Rodrigues, Rede-AP] estão maltratando pessoas que falam o que elas não gostam de ouvir", disse.

Na sequência, o presidente defendeu as médicas Nise Yamaguchi e Mayra Pinheiro, entusiastas das políticas de Bolsonaro de combate à covid, incluindo o uso de medicamentos sem eficácia contra a doença. As duas concederam depoimentos recentemente à CPI, onde sofreram críticas dos senadores.

"São excepcionais profissionais que defendem o tratamento imediato, que eles [senadores] não querem."

Em seguida, Bolsonaro disse novamente que tomou hidroxicloroquina em seu tratamento contra a covid-19, sem citar o medicamento, e disse que "nunca politizou" o tema.

"Vocês verão que milhares de pessoas poderiam estar vivas se o outro lado não politizasse isso. Eu não politizei isso aí. Quem politizou foi o outro lado. Quem diz para não tomar e não dá alternativa são eles", disse.

Depois, provocou novamente o senador alagoano e outros opositores. "Eu não aceitaria ser convidado para CPI para o Renan Calheiros. Quer convocar? É o poder da CPI convocar. Agora, aceitar convite para ser inquirido por uma figura desqualificada como o Renan Calheiros, ou Otto [Alencar], ou Omar Aziz?"

"Pessoal acha que CPI vai derrubar um presidente. Derrubar por quê? Tão apurando desvio de recurso? Não, né, até porque o Renan falou que a CPI não vai ser usada para apurar desvio de recurso."

Presidente ataca narrador Luís Roberto e Globo

Bolsonaro novamente defendeu a realização da Copa América no Brasil, nas próximas semanas, e provocou a Rede Globo e o narrador da emissora Luís Roberto, que criticou a atitude do governo federal de aceitar sediar o torneio internacional em meio à pandemia.

"A Globo chiou. Aquele cara, como é o nome dele? Luís Roberto. Deu tapa na cara, só faltou baixar as calças e mostrar o bumbum branco dele. Ele está contra porque quem vai transmitir é o SBT."

Depois, voltou a atacar os membros da CPI da Pandemia e atacou Omar Aziz citando investigações que o senador enfrentou na época em que foi governador amazonense, entre 2010 e 2014.

"A CPI falou que era o torneio da morte. Renan Calheiros, o que mata gente é quem desvia dinheiro de estádio. E por falar em desvio, você tem um PhD do seu lado. Fala com o Omar Aziz, ele é PhD em desvio de recurso, ele sabe o que é desvio de recurso lá no Amazonas. A Polícia Federal andou visitando ele, a família dele. Quem mata gente na pandemia não é quem manda dinheiro - no caso, eu", disse o presidente.