Bolsonaro recua e diz que ameaças ao STF se deram no 'calor do momento'

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(Arquivo) Em meio à queda de sua popularidade, Bolsonaro convocou a mobilização de suas bases no feriado de 7 de setembro, com protestos previstos para acontecer nas principais capitais do país (AFP/EVARISTO SA)

O presidente Jair Bolsonaro recuou nesta quinta-feira (9) em seus ataques contra instituições e afirmou que suas recentes declarações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) foram feitas no "calor do momento".

"Minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento", disse o presidente em um comunicado.

Bolsonaro redobrou seus ataques ao STF na terça-feira diante de milhares de seus seguidores, que saíram às ruas para expressar seu apoio no Dia da Independência do Brasil.

O presidente ataca há semanas a mais alta corte do país, que abriu várias investigações contra ele e pessoas ao seu redor, pela propagação de notícias falsas, entre outros motivos.

"Não queremos brigar com poder nenhum. Mas não podemos (...) admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade", declarou na terça-feira, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, que cuida do caso.

"Ou o chefe desse poder (STF) enquadra o seu (o ministro Alexandre de Moraes), ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos", completou.

Embora tenha reunido, segundo a Polícia Militar, cerca de 125 mil pessoas na principal manifestação, em São Paulo, o presidente ficou aquém dos "dois milhões" que esperava reunir.

Num tom conciliatório incomum, Bolsonaro garantiu em sua declaração escrita que nunca teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes".

"Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país", afirmou.

Para Michael Mohallem, professor do Instituto de Direito da PUC-Rio, "Esse é um padrão do Bolsonaro: ele vai até o limite e recua. Mas recua temporariamente. Tudo indica que será o caso novamente. É muito provável que nos próximos dias Bolsonaro continue a atacar o STF, dado seu histórico."

O especialista acredita que a intenção de Bolsonaro com a nota é "dialogar com o Parlamento e não sofrer o impeachment", após alguns partidos indicarem que podem voltar a debater o tema.

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