Bolsonaro deixa hospital e já espalha desinformação normalmente

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President Jair Bolsonaro left the hospital this Sunday on  July 18, 2021 , after undergoing treatment for an intestinal obstruction, the president was hospitalized at Hospital Nova Star in the south of São Paulo since last Wednesday, where he was transferred after experiencing severe pain in your abdomen. (Photo by Amauri Nehn/NurPhoto via Getty Images)
Jair Bolsonaro à saída do hospital. Foto: Amauri Nehn/NurPhoto (via Getty Images)

O título da coluna poderia resumir tudo o que disse o presidente Jair Bolsonaro ao deixar o hospital.

Recuperado das incontingências abdominais, a capacidade de produzir inverdades já flui normalmente pela boca do ex-capitão.

Durante sua internação, ele teve tempo para eleger um novo medicamento milagroso para covid-19. O nome? Pesquisem aí.

Enquanto não houver estudo científico sério, revisado e endossado pela comunidade científica, não cabe a quem trabalha com informação o papel de transmitir a desinformação. O emplastro é, por enquanto, só um novo candidato a cloroquina.

E Bolsonaro, até onde se sabe, não combinou com os eleitores em 2018 que eles estavam prestes a escolher um palpiteiro de descobertas médicas para presidente.

Enquanto fazia selfie, postava para as redes, atacava adversários e passeava sem máscara pelos corredores do hospital, Bolsonaro teve tempo também de pensar numa boa história para justificar os encontros do seu ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello com lobistas que lhe ofereciam vacinas ao triplo do preço oficial. A desculpa?

Deixa pra lá.

Em condições normais de pressão e temperatura, duas certezas esperariam uma autoridade do lado de fora do hospital. A primeira é que ele teria algo a dizer. A segunda, que haveria interesse em ouvi-lo.

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Escaldados, os jornais e portais relegaram as palavras presidenciais ao vento e às notas de rodapé. Com atraso, muitos perceberam que, atentos ao que ocorria no hospital, eram tratados apenas como réplicas de um espetáculo apelativo de programa de auditório.

Bolsonarou quer (na verdade, precisa) criar fatos novos para tirar do colo a encrenca que realmente interessa. A encrenca está nas manchetes. CPI investiga supostas propinas no ministério. Quebra de sigilo de diretor de logística mostra centenas de contatos com CEO de empresa investigada. Tese da imunidade de rebanho está perto de ser provada pela comissão. Tudo isso no momento em que o presidente da Câmara já avalia semipresidencialismo. 

Há quem prefira dar importância às lorotas contadas por um presidente que não tem crédito com 55% dos brasileiros que nunca confiam no que ele fala.

Por que então o jornalismo profissional haveria de repercutir, sem filtro, o que ele diz? Melhor ignorar.

Pouco antes da internação, após um encontro com o presidente do STF, Luiz Fux, e ainda sem saber o que dizer sobre tudo isso que está aí, Bolsonaro usou o santo nome em vão, novamente, e pediu que a plateia rezasse com ele um Pai Nosso.

Essa deveria ser a sugestão antes de repercutir os novos factóides de um presidente que já não tem o que dizer. Vamos rezar?

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