Bolsonaro rejeita "discurso" de que há 15 milhões passando fome no Brasil e exalta Auxílio Brasil

Presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira que "não é verdade" o que chamou de "discurso" de que há 15 milhões de pessoas passando fome no país e exaltou o papel do Auxílio Brasil no enfrentamento à insegurança alimentar.

Em entrevista ao Ironberg Podcast, transmitido pelas redes sociais, Bolsonaro disse que não existe o problema da fome no Brasil "da forma como é falado". Segundo ele, a extrema pobreza no país ocorreria se uma pessoa tem menos de 1,9 dólar por dia para sobreviver --cerca de 10 reais, em suas contas. Como o Auxílio Brasil está em 600 reais por mês, paga cerca de 20 reais por dia.

"Quem porventura está no mapa da fome, pode se cadastrar e vai receber, não tem fila o Auxilio Brasil. São 20 milhões de famílias que ganham isso aí", afirmou.

"Então, essa preocupação de se antecipar problemas têm feito com que o povo brasileiro sofra menos do que a população aí fora. Esse discurso de 15 milhões passando fome não é verdade esse número", acrescentou ele, para quem há pessoas que vendem "mentiras do Brasil lá fora".

Embora o presidente não tenha dito expressamente qual dado estaria contestando, um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgado no mês passado apontou que 15,4 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar grave. Ao todo, 61,3 milhões pessoas lidam com algum tipo de insegurança alimentar. Os dados são referentes aos anos de 2019 a 2021, sob o governo Bolsonaro.

Uma das principais apostas de Bolsonaro para conquistar votos na camada mais desfavorecida da população para se reeleger, o Auxílio Brasil vai pagar até o final do ano 600 reais por mês --o valor dele é de 400 reais por família beneficiária, mas foi elevado antes das eleições após a aprovação pelo Congresso Nacional da chamada PEC dos Benefícios.

O presidente tem prometido que poderá, caso reeleito, buscar meios para manter os 600 reais no próximo ano. As peças publicitárias veiculadas no rádio e na TV que começaram a ser veiculadas pela campanha dele no horário eleitoral gratuito têm indicado a prorrogação do programa com esse valor.

Na entrevista, Bolsonaro afirmou que o Auxílio Brasil demonstra a preocupação do seu governo com os mais humildes.

Numa tentativa de se contrapor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas na corrida ao Palácio do Planalto, o candidato à reeleição disse que, em valores atualizados, o Bolsa Família equivaleria atualmente a 190 reais e citou o valor superior do atual programa de transferência de renda.

Foi sob o governo Lula que o Bolsa Família foi criado e, mesmo sob o atual governo, os programas sociais ainda são muito vinculados à gestão do petista.

O presidente criticou a imprensa e afirmou que ela não sabe a realidade sobre se existe gente faminta no Brasil.

"Se for a qualquer padaria aqui, não tem ninguém pedindo ali pedindo para você comprar o pão para ele, isso não existe. Eu falando isso estou perdendo votos, mas a verdade você não pode deixar de dizer", disse ele.

Contudo, em várias cidades brasileiras tem sido comum ver cenas de pessoas pedindo comida ou compra de gêneros alimentícios nas portas das padarias, supermercados e comércios em geral.