Bolsonaro repete piada preconceituosa com guaraná e faz campanha para filho vereador: "Me ajuda muito em Brasília"

Marcelo Freire
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Jair Bolsonaro durante live na quinta, 29 de outubro de 2020 (Reprodução)
Jair Bolsonaro durante live na quinta, 29 de outubro de 2020 (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma piada de cunho homofóbica citando o Guaraná Jesus, refrigerante maranhense cor de rosa, durante sua live semanal nesta quinta-feira (29), e fez campanha para candidatos a presidente e vereador – entre eles, seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos), candidato à reeleição para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Mais cedo, Bolsonaro fez uma viagem ao Maranhão nesta quinta e, depois de beber um copo de Guaraná Jesus, ele disse: "agora eu virei boiola. Igual maranhense, é isso? Guaraná cor-de-rosa do Maranhão aí, quem toma esse guaraná aqui vira maranhense", afirmou o presidente.

Durante a live, ele tomou outro copo do refrigerante e disse que o guaraná "deu polêmica hoje". "Que trem é esse? Fiquei desconfiando, mas eu tomei e confesso que não senti nada", disse Bolsonaro, afinando a voz e fazendo alguns trejeitos com o corpo. "Não teve mudança nenhuma, gostei do Guaraná Jesus."

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Em seguida, fez piada com o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), que estava no mesmo ambiente que ele. "Negão, e essa camisa rosa aí? Tu está pisando na bola.. não está jogando água para fora da bacia, não? Tu é flamenguista, negão, de infantaria... tem tudo para dar certo. Não vai pisar na bola."

O deputado, que é amigo e aliado de Bolsonaro respondeu, aos risos: "Essa é a cor do amor, respeita. Minha esposa que me deu essa camisa". "Ela está botando fé em você?", questionou o presidente, gargalhando.

No fim da live, Bolsonaro retomou o assunto e disse que fez uma "brincadeira" com o guaraná quando estava no Maranhão. "Se alguém se ofendeu, me desculpa aí. É a cor dele, cor de rosa. Falei uns troços, alguém gravou e divulgou. Eu estava brincando com um maranhense e ele levou na esportiva", disse o presidente, elogiando o refrigerante.

Ataques a Flávio Dino e ao PCdoB

A polêmica com o guaraná causou atrito entre Bolsonaro e o governador do Maranhão, Flávio Dino, que, durante a tarde, criticou o presidente por sua fala e o acusou de "usar dinheiro público para propaganda política".

"Bolsonaro veio ao Maranhão com sua habitual falta de educação e decoro. Fez piada sem graça com uma de nossas tradicionais marcas empresariais: o guaraná Jesus. E o mais grave: usou dinheiro público para propaganda politica. Será processado", escreveu Dino no Twitter.

O presidente rebateu Dino logo no início da transmissão, afirmando que o Maranhão é o "segundo pior estado em quase todos os índices e administração do PCdoB ajuda a deteriorar esses números".

Ele fez críticas genéricas ao comunismo e atacou o governador. "O que mais me pediram no Maranhão foi o que eu pudesse fazer [sic] para acabar com o comunismo lá. Nós podemos, pensando em 2022, em uma candidatura lá que afaste lá o atual governador, que é do PCdoB. Partido Comunista do Brasil. Isso não deu certo em nenhum lugar do mundo, é só desgraça."

Na sequência, ele pediu que os eleitores de Porto Alegre não escolhessem Manuela Dávila, sem citar o nome da candidata, por ela ser do PCdoB. Segundo o Ibope, Manuela lidera as intenções de voto na capital gaúcha.

Campanha para o filho

Apesar de Carlos concorrer em âmbito municipal, Bolsonaro recomendou a votação em seu filho citando apenas o trabalho do vereador como responsável pelas mídias sociais da campanha vitoriosa do presidente nas eleições de 2018.

"Foi um dos que fez a mídia na ocasião da minha campanha. Trabalha igual a um condenado nas mídias sociais. Meu filho, sou suspeito para falar dele. Quem puder colaborar, ajude aí o Carlos a ser eleito. Ele vai continuar me ajudando em Brasília. Vira e mexe, leva pancada da imprensa, porque me ajuda", afirmou Bolsonaro.

Além de Carlos, o presidente fez campanha para vereadores de diversas cidades do país e também para alguns candidatos a prefeito – como Celso Russomanno (Republicanos-SP), e Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição.

Provocação a Doria

Bolsonaro também provocou seu rival político João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e voltou a falar que não vai comprar a vacina que está sendo desenvolvida no Instituto Butantan – assunto que gerou polêmica na semana passada.

"Em plena pandemia, [Doria] aumentou um monte de coisa", criticou Bolsonaro. "E o arroz está alto, e o povo lembra de mim, não lembra do governador de São Paulo. Você sabe que sou apaixonado por você", provocou Bolsonaro.

"Ninguém vai tomar sua vacina na marra não, tá ok? E eu, que sou governo – o dinheiro não é meu, é do povo –, não vou comprar tua vacina, não. Procura outro pra pagar tua vacina", atacou.