Bolsonaro e Salles responsabilizam países ricos, cobram recursos e prometem cumprir metas de cúpula

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Brazilian President Jair Bolsonaro (L) and his Environment Minister Ricardo Salles are seen during the Launch of the
Jair Bolsonaro e Ricardo Salles durante evento em 9 de fevereiro de 2021 (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para sua live nesta quinta-feira (22), onde ambos comentaram a participação do governo brasileiro na Cúpula do Clima.

Durante seu discurso na cúpula, nesta quinta, Bolsonaro declarou que o país buscará reduzir a zero o balanço das emissões de carbono até 2050 – a mesma fixada pelos Estados Unidos e países europeus. Além disso, o presidente também fez outra promessa ambiciosa: a eliminação do desmatamento ilegal até 2030. Para isso, pediu "cooperação internacional".

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Bolsonaro adotou um tom moderado durante seu discurso oficial, ao contrário de posturas anteriores, quando chegou a defender a soberania do Brasil na região e acusar países estrangeiros de interesse na extração de recursos na Amazônia. Além disso, o presidente chegou a relacionar o desmatamento à atuação de ONGs internacionais.

Ao lado de Salles em sua transmissão semanal nas redes sociais, Bolsonaro manteve as promessas do discurso feito horas antes. A dupla, no entanto, reiterou a cobrança por ajuda no combate ao desmatamento e citou a participação dos países ricos na emissão de combustíveis fósseis.

O ministro do Meio Ambiente disse que as metas estipuladas pelo governo brasileiro "podem sim" ser atingidas. "Mas é importantíssimo que a gente faça o que o senhor tem dito, que é [o Brasil] receber ajuda. Nessa discussão climática, o Brasil não tem contribuição histórica. Enquanto países ricos estavam com suas indústrias emitindo combustíveis fosseis, o Brasil era um país agrícola, não tinha emissão nenhuma", disse Salles.

"Então, se estamos indo ajudá-los a resolverem problemas que eles mesmos criaram, eles também têm que nos ajudar a resolver o problema de 23 milhões de brasileiros deixados para trás na Amazônia", cobrou o ministro.

Salles e Bolsonaro listaram China (30% das emissões), Estados Unidos (15%), Europa (14%), Índia (7%) e Rússia (5%) antes de citar o Brasil, que é responsável por 3% das emissões de combustíveis fósseis. "O Brasil está lá embaixo. Lógico que queremos reduzir ainda mais, mas não justifica essa crítica absurda contra o Brasil. Está na cara que é uma questão econômica que está em jogo", afirmou Bolsonaro.

O ministro concordou com o presidente e falou que os países ricos que emitem gases poluentes pela queima de combustível fóssil "têm muito mais responsabilidade" que o Brasil na questão climática.

"Nós estamos sendo cobrados, e é correto que se cobre o desmatamento ilegal, que é metade dos nossos 3% de emissão. Então, é justo que eles nos ajudem com nosso 1,5% de emissões do desmatamento ilegal, uma vez que estamos ajudando com os 66% deles que são, na sua maioria, combustível fóssil, que não emitimos", acrescentou Salles.

Depois, o ministro do Meio Ambiente disse que o Brasil não recebeu a totalidade de recursos que deveriam ter sido destinados ao país pela participação em acordos climáticos como o Acordo de Paris (2015) e o Protocolo de Kyoto (1997). "Quem prometeu recursos e colocou a gente em acordos internacionais agora têm que colocar dinheiro à disposição", cobrou. Segundo ele, o Brasil apresentou um plano para receber US$ 1 bilhão em ajuda do governo norte-americano.

Ricardo Salles ainda afirmou que os recursos internacionais seriam somados a um aumento no orçamento do governo federal para combater o desmatamento em duas frentes: controle e fiscalização e ajuda para a população da região. "Por que voltou a subir o desmatamento na Amazônia desde 2012? Porque ninguém cuidou das pessoas. Ficou se discutindo questão ambiental e deixou 23 milhões de brasileiros para trás", discursou o ministro.

Bolsonaro chama vacina brasileira produzida no Butantan de "mandrake"

Antes de Salles ingressar na live, Bolsonaro foi acompanhado de Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, que falou sobre a produção de uma vacina brasileira contra a covid-19, supervisionada pelo ministério, que está sendo produzida em Ribeirão Preto (SP).

Segundo ele, a pasta deu entrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para começar os testes das fases 1 e 2, que atestarão a segurança do imunizante.

Bolsonaro, por sua vez, provocou o governo de São Paulo por casa da ButanVac, a vacina brasileira que está sendo produzida pelo Instituto Butantan, cuja parte da tecnologia foi desenvolvida por um hospital norte-americano. "Nossa vacina é 100% brasileira, não é 'mandrake' igual àquela de São Paulo, que tinha Estados Unidos no meio", atacou o presidente.

Após falar das vacinas, Bolsonaro pediu que Pontes explicasse o status atual de remédios que estão sendo testados contra a covid-19 e voltou a defender medicamentos sem eficácia contra a doença, sem citar os nomes dos produtos. "Cuidado com a palavra. Não pode falar, para não cair a live", reclamou.

"Por que não se pode falar em remédio? Falei em remédio, fui massacrado. Se tiver problema, vou tomar a mesma coisa que eu tomei [hidroxicloroquina], não faz mal. Para muita gente, deu certo", disse o presidente, afirmando que "interessa" a alguns grupos "morrer gente" no Brasil.

"É covardia por parte da grande mídia, do Facebook, e da esquerda, que entra na Justiça contra esses medicamentos. É uma coisa inacreditável. Parece que interessa o número de mortos... para colocar a culpa em quem? Adivinha em quem?", disse.

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