Bolsonaro: 'Se acharem que devo vacinar, me vacino'

Melissa Duarte
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O presidente Jair Bolsonaro admitiu neste sábado que pode se vacinar contra a Covid-19. A declaração reforça uma mudança de posicionamento em relação à imunização, após inúmeras falas contra a possibilidade de usar o fármaco.

— Mas eu acho que essa vacina minha tem que ser dada para alguém que ainda não contraiu o vírus e corre um risco muito, mas muito maior que o meu. Da minha parte, problema nenhum buscar um posto de saúde, já que entrou aí a minha faixa etária — afirmou Bolsonaro em conversa com jornalistas na porta do Palácio da Alvorada.

De acordo com o cronograma de vacinação no Distrito Federal, Bolsonaro já pode se vacinar a partir deste sábado, por ter 66 anos. Ainda não há informações sobre quando e se o presidente de fato irá se imunizar.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem dado declarações contrárias à imunização, inclusive afirmando não ver necessidade em se vacinar por já ter contraído a doença. A vacina, no entanto, é indicada também para quem já foi infectado pelo novo coronavírus.

Em transmissão ao vivo nas nas redes sociais na quinta-feira, o presidente já havia cogitado a possibilidade de se vacinar, mas disse que só decidiria sobre isso depois que o último brasileiro fosse imunizado.

— Eu acho que deve acontecer: depois que o último brasileiro for vacinado, se tiver sobrando uma vacina, então eu vou decidir se me vacino ou não — disse, na ocasião.

Além de descartar se imunizar, o presidente fez críticas à campanha de vacinação ao longo da pandemia. Ele colocou em xeque a segurança e a eficácia de vacinas — sobretudo a CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan — em diversas ocasiões, além de se posicionar contra a obrigatoriedade da vacinação.

O caso mais emblemático, que virou meme nas redes sociais, foi quando afirmou em dezembro que quem recebesse o fármaco desenvolvido pela Pfizer poderia se tornar jacaré.

— Se você virar um chi... virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas — disse, em 18 de dezembro do ano passado.

Também houve sucessivos atrasos e recusas nas compras de vacinas, o que levou o Brasil à escassez de doses e à lentidão da imunização, em meio ao colapso das unidades de saúde, à falta de insumos e à crise sanitária.

Além disso, Bolsonaro defendeu o tratamento precoce, com medicamentos de ineficácia comprovada para a covid-19, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. O chamado “kit Covid” chegou a ser distribuído em unidades de saúde.

Há suspeitas de que a ivermectina tenha levado quatro pacientes em São Paulo a entrarem para a fila de transplante de fígado. Outros três infectados por covid-19 teriam morrido após receberem nebulização de hidroxicloroquina no Ro Grande do Sul.