Bolsonaro se irrita e ofende jornalista argentino que o perguntou sobre eleições

Bolsonaro fala com a imprensa após votar (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Bolsonaro fala com a imprensa após votar (AP Photo/Silvia Izquierdo)

O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), se irritou com a pergunta do jornalista argentino Diego Iglesias, da emissora C5N, de Buenos Aires, sobre se aceitará o resultado das eleições deste domingo (2). “Vai falar do seu país, cara”, disse Bolsonaro ao jornalista.

O episódio aconteceu após o candidato votar na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Depois do desentendimento, Bolsonaro não respondeu outras perguntas de Iglesias.

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O questionamento do argentino faz referência às investidas de Bolsonaro contra o sistema eleitoral brasileiro e à credibilidade das eleições, que repercutiram no noticiário internacional. Durante a campanha e antes dela, Bolsonaro criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seus ministros. O presidente também tentou aprovar no Congresso o voto impresso, com o argumento de que a urna eletrônica é vulnerável.

O candidato foi questionado na chegada e na saída da seção eleitoral se vai reconhecer o resultado do pleito, mas não respondeu de forma direta. “O que vale é o datapovo, e [reconheço] eleições limpas sem problemas nenhum”, disse Bolsonaro a jornalistas no local.

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Jair Bolsonaro nasceu em Glicério, a cerca de 480 km da capital paulista, com ascendência italiana e alemã. Entrou no Exército e cursou a Academia das Agulhas Negras, visando a formação de oficiais. Chegou a capitão com carreira não exatamente brilhante, de acordo com superiores, e teve problemas disciplinares.

A ruptura ocorreu em 1986, quando escreveu artigo reclamando do salário e, no ano seguinte, foi acusado de planejar atentados em quartéis para pressionar por melhores soldos. A trama nunca se confirmou, mas Bolsonaro caiu em desgraça e pediu para sair, após ser absolvido pela Justiça Militar dois anos depois.

Sua vida parlamentar começou em 1989, como vereador no Rio, e depois, deputado federal, ocupando o cargo por 28 anos. Em 2018, concorreu à Presidência da República, e depois de uma facada que quase o matou, foi eleito.

Bolsonaro propõe a potencialização dos mecanismos de uso de armas de fogo pela população, além de também manter o Auxílio Brasil em R$ 600 em 2023 e proteger os cidadãos com valores tradicionais, como Deus, pátria, família, vida e liberdade.

Na economia, o atual mandatário promete ampliar as privatizações, a exemplo da desestatização da Eletrobras. Também sugere esforços para corrigir a tabela do Imposto de Renda e pretende avançar com nova legislação para facilitar contratações e desburocratização de normas para abrir empresas.